Foguete: o feio que é tão bonito, uma crônica de Lázaro Faleiro

07/12/2016
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FOGUETE



Fofura em forma de feiúra. Fantasmagórica, fanfarrona, fantástica figura. Faiscando formas, Foguete no fino vir e fugir, no ir-se e voltar-se ao mesmo caminho, manancial maior de amor e carinho, capaz de comover qualquer cristão, no seu jeitão de correr em cambalhotas, piruetas, peraltices e tretas; uma marmota, mais feio que mil caretas, porém portador de poesia, no jeito maroto, escroto de pôr-se em contagiante, esfuziante, constante alegria!


Foguete, fenômeno do feio que é tão bonito, no exato, caricato, pacato, perspicaz e assaz rito de um infinito de alegria, na pueril pureza e delicadeza da poesia quase infantil, porém canina e quase divina, na sina de expressar-se e no doar-se de cada dia...


Foguete, na figura feia e caricata, o lembrete que se desata e nos ata a um mundo de alegria e encantamento; Foguete, feiúra que é só festa, no carismático e enigmático carinho do existir de cada momento, fermento que nos faz feliz, elixir da recordação de doer, remoer e ferir o coração...


Foguete, faiscante festa; fresta a fazer fendas na floresta; fiel escudeiro; companheiro a caminhar e perambular pelos campos e pastarias na inata alegria de timoneiro, a espantar perdizes, pássaros pequenos, patos, preás e sabiás inzoneiros; dueto no espeto caminhar a galgar grotas e pirambeiras, naquela lorota de sumir-se em hostis capoeiras, em infantis aventuras de duas criaturas, quase crianças em suas andanças pela fazenda, na contenda de conhecer cada cantinho daquele chão. Quanta lembrança, quanta recordação!


Foguete, o feio que é tão bonito a embelezar o infinito, com a festa de sua feiúra, no exato e pacato rito de seu fino e grã-fino existir; Foguete, elixir a invadir nossas vidas, com sua vida vivida só de alegria e doação... Foguete, feiúra que é só festa, coração!


Foguete, feia figura; aventura feliz a fazer festas em minha alma, loquaz lembrete na calma e paz deste dia, a transformar-se em doces momentos de alegria... Foguete, estilete a fazer fendas, fissuras, suave amargura no meu coração, ao léu da recordação...


Foguete, folgazão, festivo e são, sem a sorte de sua infeliz morte por envenenamento, liberto de toda prisão, incompreensão e sofrimento, hoje em dia faz festa que é só alegria e carinho, à Santa Virgem Maria, num cantinho calmo do infinito, onde tudo é mais bonito!!!

1º de maio de 2.016.


Lázaro Faleiro de Miranda é pedagogo, escritor, comerciante, radialista e produtor rural

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