Iporaense defende tese de doutorado que propõe metodologia de escolha de fontes hídricas de abastecimento público, analisando a viabilidade de captação de água no Ribeirão Santa Marta

03/09/2021
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Dérick Martins é observador dos problemas ambientais, com apontamento de soluções

Quem defendeu a tese de doutorado foi o Iporaense Derick Martins, que é técnico ambiental efetivo do Estado de Goiás. Ele recebeu o título de Doutor em Geografia no mês de abril de 2021, pelo Instituto de Estudos Sócio-Ambientais (IESA) da Universidade Federal de Goiás (UFG).


O problema encontrado para realização da tese foi a escassez hídrica para abastecimento público da cidade de Iporá-GO, conforme os recorrentes episódios de insuficiência hídrica registrados no Ribeirão Santo Antônio, que é a única fonte de abastecimento de água da cidade. Sendo assim, verificou a possibilidade de prospecção e avaliação de outro manancial, para servir de fonte complementar para captação de água em cenários futuros.


Em sua tese de doutorado ele propôs uma metodologia de avaliação e definição de fontes superficiais de abastecimento público, tendo como estudo de caso a análise comparativa entre duas bacias hidrográficas, a alta Bacia Hidrográfica do Ribeirão Santo Antônio (BHRSA) e a alta Bacia Hidrográfica do Ribeirão Santa Marta (BHRSM), que pode ser fonte complementar ao abastecimento público.


Foi estipulada a hipótese de que a alta Bacia Hidrográfica do Ribeirão Santa Marta (BHRSM), por possuir área maior que a vizinha BHRSA, possua uma disponibilidade hídrica superficial maior, podendo ser fonte complementar para o abastecimento da cidade de Iporá.


Para compor a proposta metodológica, primeiramente foi feita a caracterização climática do município de Iporá, tendo como base de dados a série histórica de precipitação, temperatura e elaboração do balanço hídrico climatológico. 


Também foi feita a avaliação da disponibilidade e demanda hídrica do sistema de abastecimento público da cidade de Iporá, tendo como base de dados a disponibilidade hídrica do Ribeirão Santo Antônio representado pelas medições das vazões e a demanda hídrica da cidade, representada pela captação de água no manancial para consumo da população. 


Foi apresentado um estudo de análise das vazões de permanência e outorgáveis dos Ribeirões Santo Antônio e Santa Marta, e feita comparação com medidas de vazão realizadas nos ribeirões, desta forma, verificando qual possui maior vazão de estiagem.


Foram feitos mapeamentos dos solos, relevo, geologia, hidrogeologia, uso e cobertura da terra de forma comparativa entre ambas bacias, para dar subsídios na avaliação das influências desses aspectos na disponibilidade hídrica superficial das bacias.


A análise sistêmica dos aspectos físicos e antrópicos evidenciou uma maior propensão ao escoamento superficial das águas na Bacia Hidrográfica do Ribeirão Santa Marta, proporcionando vazões caudalosas em período chuvoso e vazões reduzidas em períodos de estiagem, assim como verificado menor vazão de estiagem medida no Ribeirão Santa Marta.


A análise integrada demonstra que por mais que a Bacia Hidrográfica do Ribeirão Santa Marta possua mais que o dobro da área da Bacia Hidrográfica do Ribeirão Santo Antônio, ela possui características físicas e antrópicas que não a tornaria sozinha, uma fonte suficiente para assegurar o abastecimento hídrico da cidade. Sendo assim, a Saneago fez uma boa escolha no passado, ao adotar o Ribeirão Santo Antônio como fonte fornecedora, que é uma melhor fonte de fornecimento de água também devido sua área estar toda inserida no município de Iporá, o que facilita sua gestão.


A hipótese de que o Ribeirão Santa Marta possuiria uma vazão de estiagem maior não foi confirmada. Foi encontrada maior vazão no Ribeirão Santo Antônio, mesmo essa possuindo metade da área da outra bacia.


Todavia, o Ribeirão Santa Marta pode servir de fonte complementar para auxiliar no fornecimento de água para o abastecimento público da cidade de Iporá, visto que o Ribeirão Santo Antônio se encontra sobre-explotado, e não está sendo suficiente para abastecer a cidade e manter vazão remanescente a jusante.


O estudo evidencia que é necessário implementar o planejamento ambiental e a gestão hídrica das bacias hidrográficas, sobretudo de forma imediata na Bacia Hidrográfica do Ribeirão Santo Antônio, além de servir de base para outros trabalhos locais e de outras regiões, contribuindo para a conservação dos recursos hídricos e, por conseguinte, para garantir o abastecimento público e outros usos múltiplos.


A tese completa pode ser baixada gratuitamente no link: http://repositorio.bc.ufg.br/tede/handle/tede/11323 


Sobre o autor: Derick é Mestre e Doutor em Geografia pela Universidade Federal de Goiás. Graduado em Geografia pela Universidade Estadual de Goiás. Técnico em Mineração pelo Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Goiás. Tem experiência e atua nas áreas de Geomorfologia, Pedologia, Geotecnologias, Recursos Hídricos, Análise Ambiental Integrada, Prospecção Mineral e Geológica, Prospecção e Mapeamento de Atrativos Turísticos Naturais. Atualmente trabalha como Técnico Ambiental efetivo na Universidade Estadual de Goiás.











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