
Chegando aos 66 anos, Iporá, teoricamente, é uma menina, se comparada a outras cidades de nosso Estado e País. No entanto, ao contrário do que se espera de toda menina que cresce e se aprimora, caminhamos lenta e vagarosamente para um futuro incerto.
Cheia de buracos, as ruas deixam a desejar em passagem e beleza. As rotatórias cedem espaço para capins que se alastram, inclusive, pelas ruas principais, dificultando a visibilidade e colaborando para que o motorista de cá tenha como visão apenas um amontoado de mato sem harmonia.
Caixas de papelão, sofás velhos e outras quinquilharias tomam conta dos canteiros, dando um tom cinza, velho e que transparece a ideia de uma cidade descuidada, onde o lixo, responsabilidade de todos, se afigura como uma peça decorativa da paisagem urbana.
Desvios irregulares surgem do nada e a avenida Pará, planejada para ser de fluxo contínuo, é parada para satisfazer alguns caprichosos senhores e seus comércios. Assim, quebrados e reconfigurados, os meios-fios desarmonizam a paisagem ao oferecer vários espaços vicinais de entrada e saída de carros, quando, na verdade, isso é ilegal.
As praças, centros de convivência públicos, sinônimos de beleza e lazer, têm seus espaços invadidos por tendas, as quais servem como anexos para vários comerciantes expandirem seus negócios. Parece não haver fiscalização, de modo que o espaço público acaba se tornando privado sem nenhum planejamento arquitetônico ou mesmo ambiental.
E assim, a cidade vai, aos poucos, se transformando em um cortiço moderno: maior, com renda, comércio, prefeito e vereadores. É cidade, mas tem ares e cuidado de um cortiço.
O trânsito, por consequência de todos os problemas já citados, é caótico e torna-se um perigo para motoristas e pedestres. A falta de sinalização adequada, somada à imprudência, faz com que acidentes aconteçam diariamente, espetáculo comum e já banalizado. Falta semáforo, mas, sobretudo, falta-nos educação no trânsito.
E se aquela velha história de que “o sorriso é a imagem que fica”, estamos banguelas e tristes, pois as entradas da cidade, riso de qualquer chegada, são pálidas e depressivas. Vindo de Rio Verde/Caiapônia, a imagem que se vê é um “trevo” cheio de capim com o nome da cidade desbotado e corroído pelo tempo. Ao lado, um monumento do Estado pintado nas cores da bandeira se esconde no meio do capinzal.
Chegando de Goiânia, a história não é diferente. Nenhuma placa, a não ser uma do comércio local, recepciona o visitante, que entra desconhecidamente na cidade, sendo recebido apenas por quebra-molas metade feitos, metade destruídos.
Nos bairros mais afastados, a insegurança e a violência são frequentes, fazendo com que sejam denominados como parte mais violenta e por conseguinte, pouco visitada da cidade. Desta maneira, parecemos ter várias cidades dentro de uma mesma Iporá, a que foi “pensada” e protegida, e uma marginalizada e esquecida. Aliás, esquecida nos anos sem eleição, pois quando o assunto é voto, estes bairros são os mais cortejados e visados.
Se pensarmos no conceito de administração, logo chegaremos ao senso de que tudo o que há na cidade, deve ser visto com olhos de atenção por aqueles que a dirigem. No entanto, o que vemos é totalmente o contrário. Empresas promovem um verdadeiro samba na cara da população.
A exemplo disso podemos citar a empresa Maia, que embora tenha trocado de nome e proprietários, ainda conserva os mesmos problemas. Descaso com os clientes, superlotação, vendas de passagens sem numeração de poltrona, acidentes em perímetro urbano e outros tantos, que se formos elencar, gastaríamos toda essa coluna. Enquanto isso, ninguém do alto escalão, que bate no peito e diz cuidar do povo, faz nada.
Essa é a Iporá que, visivelmente doente, grita em cantos de dor.
(Em breve, a Iporá que resiste e luta para viver. Com um povo batalhador, gente que produz cultura e muitos anônimos, que traçam inúmeras batalhas para (re)construir a velha Pilões).
Autor: Sísifo
NOTA: O Oeste Goiano não costuma fazer a publicação de textos anônimos, mas neste caso, levando em conta a forma respeitosa de manifestar, sem ferir a honra de ninguém, isso foi possível.
