Até o ano de 2004 e 2005 havia uma publicidade enorme sobre pequenas fábricas produtoras de farinha de mandioca no Município de Iporá. Esta publicidade enfatizava a alta produção, a grande quantidade exportada, a construção de um Centro Tecnológico e a possibilidade de um incremento significativo na produção agroindustrial. Mas de longe o que se pode observar é que ocorreu o inverso.
A reportagem do Jornal Oeste Goiano na reportagem sobre a momentânea paralisação da fábrica de farinha do Taquari tocou neste assunto sobre o qual ninguém mais fala. O que, acabou chocando os líderes daquela associação. E, portanto, achando oportuno publicaremos aqui material que trata sobre esta questão onde fica demonstrado que no Município de Iporá este setor está entrando em gradual e irreversível desaparecimento ao longo dos últimos cinco anos. E que paralisar a atividade é o primeiro passo para isso.
Pequenas fábricas paralisam a produção, o investimento é sucateado e por fim abandonadas.
Devido a custos crescentes e receitas estáveis ao longo dos anos; as Pequenas Fábricas Produtoras de Farinha de Mandioca tem desaparecido gradualmente do Município de Iporá nos últimos 5 anos ou sendo sub-utilizadas. Sub-utilizadas no sentido de que, não operam regularmente ou produzem em pequenas quantidades produtos derivados da mandioca para o qual não foram projetadas, tais como, farinha lisa, farinha de milho e polvilho. Podemos citar exemplos aqui mesmo dentro da cidade, onde 6 (seis) fábricas deixaram de funcionar. Isto sem levar em consideração; aquelas situadas na zona-rural onde era realizada a maior parte da produção. Este fato evidencia um lento, porém gradual processo de desindustrialização da Economia Iporaense.
O caso das fábricas se deve à gradual queda nos lucros entre os meses de Maio e Dezembro de cada ano o que, impossibilita a rentabilidade do empreendimento. Torna a empresa antieconômica e forja a saída definitiva dos pequenos produtores do referido setor.

Fonte: Elaboração Própria/ Empresários do setor
Os dados. Mesmo sendo de 2009 possui o objetivo de demonstrar a situação dos produtores a partir do segundo semestre de cada ano, onde para continuarem trabalhando incorreriam em um prejuízo de R$ 14,63 a cada tonelada mandioca processada.
Um estudo realizado pelo repórter do Jornal Oeste Goiano – João Batista da Silva Oliveira – no ano de 2009 evidencia que devido a custos sempre crescentes das Pequenas Fábricas Produtoras de Farinha de Mandioca (PFPMs) em relação a sua receita estável e vertiginosamente decrescente; existe uma tendência de que empresas abandonem o setor no ponto onde os custos excedem os lucros. Na prática, isto ocorre a partir do momento em que o pequeno produtor ao verificar que não compensa continuar trabalhando porque está ocorrendo prejuízos; vai procurar outro trabalho. No ano posterior, pelo fato de ter encontrado outra ocupação ele não retorna para o setor ou apenas produz outros tipos de produtos derivados da mandioca em pequenas quantidades. A partir daí como a atividade não é lucrativa – não só para ele – mas para mais ninguém; com algum esforço ele consegue vender parte do material – o que sempre não ocorre – e a unidade fica sucateada.
Não obstante, conclui que o modelo de fábrica onde se utiliza uma tecnologia denominada “forno rotatório” ao apresentar uma estrutura de custos inferior ao modelo convencional; devido a ganhos de escala tem praticado um preço de exclusão ou de expulsão – no primeiro caso o produtor sai do setor, mas retorna. No segundo, ele sai do setor e jamais poderá retornar. Ou seja, um preço de mercado inferior aos custos apresentados pelos modelos tradicionais que se utilizam de um forno de 2,00 m ou 2,90 m, comumente encontrados no Município de Iporá. Já aqueles que operam com um forno de 3,00 m ou 3,10 o fazem de forma mais tranqüila porque os ganhos são maiores.
Não obstante, esta ameaça em potencial. Observa-se que dadas condições de produção, a atual estrutura de custos crescentes; a receita estável e eventualmente decrescente das PFPMs e, a disseminação do modelo de forno rotatório já instaurou a tendência ao fechamento de unidades farinheiras no Município de Iporá. (João Batista da Silva Oliveira)
