
Empresários de Iporá procuraram a reportagem do Oeste Goiano para solicitar que a imprensa cobre explicações sobre o atual momento tributário do país, repleto de incerteza e afirmações em redes sociais sobre as quais não se sabe se são verdadeiras ou fake News.
De contadores quisemos ouvir sobre o assunto, mas três dos mais respeitados profissionais da área em Iporá, ouvimos que não é possível fazer muitas afirmações sobre o que vem por aí. Eles afirmam que realmente há um momento de incerteza tributária. A expectativa e o receio dos contadores são reais e fundamentados. A Reforma pode simplificar no futuro, mas o caminho até lá é turbulento e quem empreende precisará de mais estratégia e informação.
Na prática recomendam que o contribuinte precisa ter acompanhamento constante com contador atualizado, que sejam feitas simulações de cenários futuros e que haja cautela em decisões de longo prazo. Fora de Iporá, ouvimos que é preciso, no entanto, evitar pânico: muita coisa ainda será ajustada nas leis complementares.
O medo existe porque o sistema está “em construção”. Isso é natural em reformas profundas. Na empresa, adequação dos softwares pelas empresas de TI responsáveis, e adequação do Cadastro de Produtos com os novos campos CST IBS/CBS e CLASSTRIB. Para 2026 empresas obrigadas sob risco de penalidade são as de LUCRO PRESUMIDO e LUCRO REAL, porém as demais já podem ir se adequando. Para o ano de 2026, até o momento, as informações é de que não estão obrigadas a isso.
O sistema tributário brasileiro vive, sim, um momento de instabilidade do ponto de vista da compreensão, adaptação e previsibilidade, especialmente por causa das mudanças estruturais em andamento com a Reforma Tributária. Isso explica o clima de expectativa e receio relatado por contadores e empresários.
O Brasil sempre teve um sistema tributário complexo, fragmentado e burocrático. Com a Reforma Tributária aprovada em linhas gerais, entrou-se agora numa fase de transição, que é justamente o período mais sensível.
Hoje convivem três fatores ao mesmo tempo:
• Regras atuais ainda valendo
• Novas regras já aprovadas
• Detalhes operacionais ainda indefinidos, que dependem de leis complementares
Isso gera insegurança porque o empreendedor precisa planejar custos, preços e investimentos, e planejamento depende de previsibilidade.
A proposta central do Governo é substituir vários tributos por dois principais:
• CBS (federal) – substitui PIS e Cofins
• IBS (estadual e municipal) – substitui ICMS e ISS
Além disso:
• Haverá um Imposto Seletivo (o chamado “imposto do pecado”)
• O sistema passa a ser mais baseado no consumo, com crédito financeiro amplo
Na teoria, o sistema fica mais simples.
Na prática, a transição até lá é longa e complexa.
Os receios mais comuns são:
- Aumento da carga tributária para alguns setores
Apesar do discurso de “neutralidade”, há consenso entre especialistas de que:
• Alguns setores pagarão mais
• Outros pagarão menos
Serviços, pequenos negócios e atividades intensivas em mão de obra são vistos como os mais expostos.
Ainda não está claro:
• Quem terá regimes especiais
• Quem será beneficiado com alíquotas reduzidas
• Como ficarão o Simples Nacional e o Lucro Presumido na prática
Isso afeta diretamente quem empreende.
Empresas terão que:
• Atualizar sistemas
• Reorganizar contabilidade
• Treinar equipes
Para pequenos e médios negócios, isso pesa no caixa.
Recomendações:
• Quem não se planejar pode ser surpreendido
• Quem atua em setores com margem apertada pode sentir mais
• Quem depende de incentivos fiscais regionais ainda vive incerteza
Por outro lado, empresas que:
• Têm boa organização contábil
• Fazem planejamento tributário
• Acompanham as regulamentações
tendem a atravessar a transição com menos impacto.
É apenas isso que se pode concluir em meio as incertezas do momento.
