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Família Noleto entre iporaenses de outrora

Louracy Chrisóstomo Noleto (de terno) e Alice da Costa Noleto, com todos os 11 filhos, em 1988

Mais um trecho do livro “A formação da sociedade iporaense”, de Valdeci Marques. Hoje, sobre os Noletos, sobrenome importante.

Louracy Chrisóstomo Noleto teve uma passagem por Iporá, na década de 50, que foi rápida, mas esplendorosa, tendo em vista a cultura, a visão e engajamento político de uma pessoa que estava à frente do seu tempo. Em sete anos, ele galgou espaços e chegou a vereador e presidente da Câmara, além de um testemunho de vida em favor do que podia ser considerado progressista para aquela época. Era final do ano de 1950, quando chegou com a família: a esposa Alice da Costa Noleto e sete filhos e ainda uma moça que criavam. Veio de avião de Cassununga, distrito de Guiratinga, no Mato Grosso, deixando para trás um passado de garimpagem e aventuras. Tinha também temperamento artístico. Por lá, foi músico da Orquestra Filarmônica 13 de Maio, formada somente por garimpeiros de Cassununga. Era trompetista. Louracy veio para Iporá em busca de melhores escolas para os filhos. Nesta cidade, um emprego o aguardava, na loja do “Seu” Afonso Barbosa, uma casa comercial de secos e molhados. Daí em diante, ele tomou conta de toda a loja e fazia também a sua contabilidade. Aquele homem versátil trouxe aos iporaenses, numa cidade recém emancipada, a experiência de navegar em rios da Amazônia e aptidões profissionais raras em Iporá. Era um comerciário e também prestava assistência técnica a muitos garimpos que, àquela época, operavam com motores no Rio Claro, que banhava o município. E, ainda como bico, tocava em bailes da cidade, com seu pistom. Ambientado e respeitado na sociedade, entrou para a Maçonaria e também arrendou uma sala de cinema – a segunda em funcionamento na cidade. Todos os filhos foram matriculados no Grupo Escolar “Israel Amorim” e, anos depois, a filha mais velha, Louralice, saiu para estudar fora, num internato de freiras em Araguaína (MG), voltou pra casa e virou professora nessa mesma escola. Também a segunda filha, Lenice, ganhou uma bolsa de estudos pelo primeiro lugar na escola pública e foi estudar num moderno internato de Jataí. A família de Louracy Crisóstomo Noleto residiu em casas próximas ao córrego Tamanduá, pois Iporá resumia-se no que hoje é a parte baixa da cidade. Morou na casa do Arthur Barros, na “casa do posto” – era o único posto de gasolina da cidade – e depois, na casa do Seu Zé Vendeiro. Esse posto é atualmente o Auto Posto Bomtempo, na esquina da Avenida Dr. Neto com a Rua Goiânia. Senhor Louracy, Loro ou Lorinho, junto com Dona Alice, construíram uma história com muita honradez e dignidade, conquistaram amizades. Ele entrou para a Maçonaria e logo veio-lhe o convite para candidatar-se a vereador, pelo PSD – Partido Social Democrata -, que há anos dominava o cenário eleitoral do município. Na liderança desse partido estava o dinâmico e popular Israel Amorim, casado com uma das filhas da família Souza Santos. Ele era padrinho de um dos filhos de Louracy/Alice. Nesse ambiente de total sintonia com a sociedade iporaense, foi eleito vereador em Iporá. Depois, como o mais votado, assumiu a Presidência da Câmara. Ao lado de Israel Amorim e no ritmo do progresso que marcava Goiás com a construção de Brasília, a Prefeitura e Câmara trabalharam muito, construindo estradas e transformando pequenas vilas como Pacu, Campo Limpo e Cruzeiros em novas cidades como Amorinópolis, Israelândia e Moiporá. Na vereança, com um discurso eloquente e forte, Louracy fez uma séria denúncia de desvio de dinheiro arrecadado junto à comunidade, por meio de festejos e doações, para a construção de uma igreja católica nova na cidade. Assim, numa manhã de domingo, junto com a mulher e os nove filhos já à época, ocupavam toda a extensão de um banco na antiga igrejinha, quando, no meio da missa, durante o sermão, o padre da ocasião, exaltado, xingou Louracy, dizendo que maçonaria era coisa do diabo. Naquele instante, ele se levantou e, silenciosamente, apenas com um sinal, fez com que todos da família se levantassem e saíssem da Igreja, proibindo a todos de voltar a frequentá-la. Os descendentes de Louracy contam que, alguns anos depois, o mesmo padre denunciado fugiu da cidade levando grande soma em dinheiro. Louracy Chrisóstomo Noleto, como vereador foi quem criou e coordenou um movimento em prol da construção do primeiro hospital de Iporá. Com filhos que cresceram, nasceram mais três em Iporá, e que precisaram de estudos mais avançados. Aquele homem amante da cultura e ciente de que era a educação que ia fazer a diferença, começou a pensar em mudança para Goiânia. Louracy e Alice eram queridos e respeitados na cidade, sendo que a filha mais velha, que era também professora, se destacava ainda por sua beleza ímpar, sendo elogiada por onde passava. Um destes galanteadores era Manoel Antonio da Silva, que mais tarde viria a ser eleito prefeito e ocupar importantes cargos na política estadual. Muito jovem e solteiro, ele tentava a todo custo se aproximar da linda Louralice, o que desagradou a família. E Louracy, procurando zelar melhor pelos seus, decidiu então que era hora de deixar a cidade. Acompanhado, inicialmente apenas da filha mais velha, pegou um avião da Cruzeiro e mudou-se para Goiania. Logo depois, passou num concurso para Fiscal Arrecadador. Muitos anos depois, voltou a estudar e formou-se em Direito. Iporá continuou sendo – pra ele e para a família – a cidade dos bons amigos, dos muitos compadres e comadres; dos gigantescos quintais, dos banhos no Passarinho e dos sonhos de uma educação que seja transformadora. Quanto aos filhos de Louracy e Alice, multiplicaram descendentes que se orgulham do patriarca. Em Goiânia, tiveram mais um filho, formando uma prole de onze. Louralice, a filha mais velha, se casou com o farmacêutico, economista e jogador de futebol Elson Rosa de Faria e teve três filhos, Telma, Fausto e Fernando Nolêto Rosa; Lenice, que se casou com Joselito Magalhães, teve uma filha: Rafaela Nolêto Magalhães. A outra filha, a Letice, uniu-se matrimonialmente com Oberdã Santos e deles descendeu Analice, Oberdã Jr., Christyne e Patrícia Nolêto dos Santos. A filha Laurice casou com Pedro Evilásio de Souza e dessa união nasceram Andrea, Pedro Júnior e Daniela Nolêto de Souza; Laurenice, a Nonô, que em Goiânia se tornou jornalista, escritora e artesã licoreira, casou-se com o também jornalista Wilmar Alves e tiveram os filhos Olavo, Frederico e Guilherme Nolêto Alves – Olavo Nolêto, o primeiro filho de Nonô e Wilmar já ocuparam o cargo até de ministro em todos os governos de Lula e Dilma na Presidência da República. O casal Louracy/Alice teve ainda mais seus filhos homens: Louraci, que se casou com Lúcia e depois com Nilva Alves e teve os filhos Luana, Nilo, Niágara e Lucirlene. Lauro, o sétimo, se casou com Rachel Câmara e teve os filhos Lauro Gabriel, Tereza Rachel e Lucas Câmara Noleto. Laurenito se casou com Carmem Lúcia Lombardi e têm os filhos Carolina, Leonardo e Rafael Noleto Lombardi. O filho Abrão uniu-se a Elizabeth Batista e desse enlace nasceram Débora e Diogo Batista Noleto, e agora ele é casado com Maria Angélica Simon. O Wagner se casou com Luiza de Marilac e nasceram Lorena e Luciana Nolêto; depois casou-se com Diane e nasceu Enzo. O caçula da família, Zênio Costa Noleto, morreu solteiro, sem deixar descendente. Mas as marcas da família já estão registradas na história como pessoas altamente ligadas às artes (música, pintura, literatura…) e à política de procurar ser feliz e de lutar pela construção de uma sociedade com mais justiça social e mais felicidade coletiva. Essa é a história da família Nolêto. (Fotos págs. 41 e 45)

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