Na manhã desta quarta-feira, 25, o SINTEGO coordenou uma atividade coletiva unificada das escolas estaduais de Iporá na Câmara Municipal, na oportunidade o microfone foi aberto aos representantes das escolas onde foram apresentadas aos vereadores as dificuldades que as escolas vêm passando diante das mudanças implantadas pelo Secretário Estadual de Educação Thiago Peixoto. Os vereadores ali presentes deram aos educadores apoio político a essa luta. A eles foi entregue uma carta apresentando as insatisfações da categoria e pedindo apoio dos vereadores, a mesma está reproduzida abaixo:
Senhores Vereadores da Câmara Municipal de Iporá,
Nós, educadores da rede estadual de ensino, lotados na regional de Iporá, gostaríamos de chamar a atenção dos senhores para alguns aspectos da atual situação da educação estadual de Goiás que demonstram a falta de compromisso do Estado com a categoria e com o ensino público, motivo pelo qual estamos em protesto.
É visivelmente perceptível que estamos nos distanciando da democracia conquistada pelo povo brasileiro com muita luta. O início desse governo foi marcado por muitos desmandos que afetam a todos nós que estamos primando pela qualidade do ensino oferecido aos nossos alunos.
A resistência das autoridades competentes em pagar o piso salarial votado, aprovado e aguardado há muito tempo obriga os professores a se desdobrarem para trabalhar em duas, três ou até mais instituições na tentativa de melhorarem seus rendimentos. São jornadas desumanas que atrapalham o desempenho do educador.
Outro fato que atrapalha o desenvolvimento da educação é a nova modalidade de pagamento instituída pelo governo Marconi: salários parcelados, mesmo tendo declarado algumas vezes que o estado tem o dinheiro para pagar o funcionalismo da Educação integralmente. Queremos receber nosso salário integral e dentro do mês trabalhado. Nenhuma de nossas dívidas é paga parcialmente, sem penalidades.
As modulações têm sido um ato figurativo nas escolas, pois as determinações têm vindo de um secretário de educação que é economista e não educador, o Sr. Thiago Peixoto. Precisamos que as modulações sejam respeitadas, pois as mudanças desenfreadas impostas constantemente alteram significamente o andamento do processo de ensino, prejudicando diretamente o aluno e o funcionário, gerando desconforto e, inclusive, problemas de saúde pelo desgaste emocional desta situação de total insegurança.
Os professores contratados em regime temporário estão com seus direitos básicos usurpados. Há contratados que ainda não receberam seus salários este ano (já estamos no final de maio). Há falta de concurso público para suprir os muitos déficits no Estado. São vários contratos temporários que estão sendo dispensados, sem que se tenha autorização de novos contratos para assumirem as aulas e, enquanto isso, os alunos estão sem aulas em várias disciplinas. Há escolas em que até o momento os alunos não tiveram aulas de determinadas disciplinas.
Os funcionários técnico-administrativos precisam ser valorizados porque são indispensáveis nas escolas, no processo da construção dessa educação de qualidade pela qual lutamos e defendemos. Estes estão desgastados pelo excesso de trabalho, uma vez que o número de profissionais tem sido totalmente insuficiente para o trabalho a eles destinado com o pretexto “hipócrita” utilizado pelo secretário de que o “foco” é a sala de aula.
A falta de segurança nas escolas é crescente, pois grande parte dos vigias noturnos são contratos temporários e os mesmos estão sendo dispensados. Há diretores que, na tentativa de preservar o patrimônio público, estão dormindo nas escolas. No período diurno também não há segurança nas escolas, pois não há profissional designado para controlar a entrada e saída de pessoas, já que o número de administrativos tem sido totalmente insuficiente.
O Ipasgo, que vem descontado em nossos contracheques, mensalmente, tenta impedir que seus usuários desfrutem de algo pelo qual pagam, limitando o número de consultas anuais, sem considerar a necessidade do usuário.
Muitas de nossas escolas estão sucateadas, implorando por reforma.
As progressões a que os profissionais da educação têm direito não têm sido assinadas e sempre a resposta é que estão em cima da mesa do governador para serem assinadas.
Os diretores das escolas públicas estaduais não têm nenhuma autonomia. Não lhes é dada nenhuma condição de exercer o cargo para o qual foram eleitos. E agora, de forma insolente e totalmente desrespeitosa, estão querendo acabar com a formação de chapas para eleição nas escolas, além de delegarem a realização de provas para selecionar candidatos.
Além disso, é importante ressaltar que a educação não deve ser conduzida como se fosse uma empresa. O elemento fundamental da educação é a formação plena do cidadão. Isso não se faz com pressão por resultados imediatos, mas através de investimentos que tornem a escola um lugar mais confortável, que estimulem professores a ministrarem aulas com prazer e que garantam os reais direitos do aluno.
Fica claro que o economista Thiago Peixoto entende que “resguardar o direito dos estudantes de terem aula” é simplesmente cumprir horários em salas de aulas. Informamos que nossa missão vai além: somos educadores, preparados para tal. É por isso que manifestamos nossa indignação com tantos desmandos.
Reforçamos que nossos protestos justificam-se mediante as seguintes questões: Piso salarial; Ipasgo com condições dignas de atendimento para os segurados; Data-base; Valorização dos administrativos; Reformas das escolas; Concurso Público; Progressões; Segurança; Quadro transitório; Pagamento dos contratos temporários; Pagamento integral dos salários dentro do mês trabalhado; Respeito às modulações; Não ao fechamento dos laboratórios; Respeito aos planos de carreira.
Estamos em plena luta e por isso pedimos o empenho dos senhores vereadores da cidade de Iporá para levarem ao conhecimento dos demais segmentos políticos e autoridades competentes do estado de Goiás, a situação caótica em que se encontra a educação estadual.
Embora esta casa de leis possa ser vista por muitos com ligação mais direta à rede municipal de ensino, entendemos que a problemática ora apresentada possui ligação direta com esta Câmara e com cada representante eleito pelo povo de Iporá, uma vez que o cidadão iporaense tem sido diretamente afetado pela educação ofertada pela rede estadual de ensino.
Esperando contar com cada um dos senhores como nossos aliados nesta luta, aguardamos providências e retorno imediato à categoria mediante a urgência que o assunto requer, pois necessitamos de condições de trabalho que nos permitam concretizar o objetivo de oferecer ao aluno iporaense uma educação pública de boa qualidade.
Sem mais no momento nos despedimos.
