Aqui, ali e acolá. O pedinte estava em todos os lugares. A tarefa dele era pedir, expondo uma gritante necessidade de dinheiro para cirurgia. Era pobre? Não sabemos. Tinha dinheiro para andar de avião. Mais um miniconto de Edival Lourenço, extraído do Os Carapinas de Sri Lanka.
Um pedinte algo pertinaz
Parece fatalidade: sempre que Teotônio pega o lotação pela manhã, rumo ao batente, surge um pedinte acintoso com os intestinos expostos, reclamando por caridade para a cirurgia de correção. Aquilo costuma lhe causar asco e repugnância de estragar o almoço e o dia. Anteontem, a serviço da empresa, pegou um avião para Belém do Pará. Em pleno vôo, o avião já sereno, para assombro de Teotônio, se irrompe à sua frente, no meio do corredor, o mesmo pedinte, com o mesmo discurso aos berros, com as mesmas escabrosas tripas de fora.
O AUTOR – Edival Lourenço nasceu em Iporá. Hoje mora em Goiânia e é presidente da União Brasileira de Escritores-Seção Goiás.