
Mais um pouco da formação da sociedade iporaense, com base no livro de Valdeci Marques. Hoje, sobre um italiano que rendeu muitos descendentes para Iporá.
Dante Lassi, italiano nascido em Lucharno, uma Comune na região da Toscana, foi de intensa atuação no comércio de Iporá. Merecia ter seu nome em algum espaço público, mas ainda não houve quem tomasse essa iniciativa. Em 1.895, a Itália não era um país em paz. Havia uma grande migração de italianos para o Brasil. Naquele ano entrou para um navio de vinda os pais de Dante Lassi, Orlando Lassi e Giulia Inocenti, trazendo consigo os filhos Dante e Torquato. Consta dos registros do Museu da Imigração, em São Paulo, o desembarque da família em 14 dezembro de 1897, sob registro em livro de número 4.828. Acolhidos na hospedaria dos imigrantes, em São Paulo, foram encaminhados para a cidade Paulista de Batatais. Ali a família se estabeleceu e encontrou a paz de que precisavam para ganhar a vida. Foi também em batatais que seu nome passou a ser Dantes Adelino Lassi, conforme conhecido aqui na região. Ainda muito jovem, Dante Lassi se separou dos pais e se tornou um caixeiro viajante, uma profissão antiga. Os caixeiros viajantes eram vendedores que viajavam pelo interior oferecendo uma variedade de produtos, desde panelas, ferramentas, tecidos para confecção, e até sapatos, por exemplo. Antigamente, quando não havia facilidade do transporte entre cidades, os caixeiros viajantes eram a única forma de transportar produtos, no lombo de animais, por diferentes regiões fora das grandes cidades. Comunicativo e esforçado, Dante Lassi ganhou dinheiro por meio desse comércio, enquanto se deslocava de um local para o outro. Ainda em São Paulo, ele se casou com uma mulher chamada Maria Altiva de Jesus, com a qual teve quatro filhos, que nomearemos ao final. Dante se separou desta sua primeira esposa e encontrou uma outra Maria, a Maria Alves de Lima, e pediu ao pai permissão para se casarem. Ao pedir a mão da moça, deixou claro ao futuro sogro que pretendia se mudar para a região de Iporá. Seus filhos do primeiro casamento não o acompanharam nessa mudança para Iporá, e se estabeleceram em Brasília (onde havia parentes da primeira mulher) e Belo Horizonte. Ainda antes de chegar em Iporá, estando numa fazenda em Palmeiras de Goiás, teve com a Maria Alves de Lima o primeiro filho. Os demais filhos dessa união nasceram em nossa região. Por esse tempo resolveu abandonar a vida de caixeiro viajante fazendeiro. Investiu muito dinheiro nessa nova empreitada. Além da Fazenda Baliza, localizada no município de Iporá, e que faz divisa com Amorinópolis, adquiriu outras propriedades e gado. Mas desacostumado com a lida do campo quis retornar àquilo que gostava: o comércio. Vendeu a terra e, desta vez, resolveu abrir portas para que clientes viessem até ele para fazer suas compras. Estabeleceu-se, então, como comerciante, no Distrito de Iporá, na década de 40, em localidade que se tornaria em breve uma cidade. A casa que abrigou seu primeiro negócio, aqui, localizada à Avenida 24 de outubro, esquina com a Rua Lázaro Vieira, ainda existe, e mantém a mesma estrutura utilizada por Dante Lassi para vender secos e molhados. O local, na verdade, oferecia, a seus clientes, de tudo um pouco, uma vez que não havia na região um comércio variado. Na mesma rua, e um pouco adiante, era só atravessar a rua e entrar em um bar, também de propriedade do italiano. Com sua dedicação ao trabalho e sua boa comunicação, conquistou muitos clientes, e prosperou. É sabido de quem o conheceu, que certa feita comprou um bilhete da Loteria do Estado de Goiás (LEG); ao adquirir o bilhete, Dante teria brincado com um de seus clientes, que sempre estava por ali, e lhe disse: – olha, se eu ganhar na loteria vou te dar esse armazém de secos e molhados. Acontece que ele ganhou o primeiro prêmio, com o qual comprou uma chácara. O armazém, conforme prometido, foi entregue ao cliente felizardo. Este, por sua vez, não entendeu a natureza do negócio, e preferiu carregar o estoque para sua fazenda, e fechar as portas do estabelecimento, decretando assim o Secos e Molhados que atendia bem aos iporaenses. mercadorias, No auge de sua prosperidade, Dante Lassi chegou a ter 13 imóveis dentro de Iporá. Na política, o italiano se aproximou de Elias Araújo Rocha, e seu grupo. Havia rivalidade entre dois grupos e Dante vibrou com a eleição para prefeito vencida por Manoel Antônio da Silva, que derrotou, naquela ocasião, o candidato Israel Amorim. Dentre os empreendimentos de Dante, ainda houve uma sorveteria, na Avenida 15 de Novembro, no local onde hoje é a loja Novo Tok Móveis. Aos fundos ele instalou uma panificadora. Contam os descedentes que veio dele o primeiro picolé vendido em Iporá, o primeiro sorvete e o primeiro pão feito em máquina de cilindro. O italiano era inovador, gostava de buscar novidades em Goiânia, para ser implantada na nova cidade. Competente nos negócios, ele também participava quando o assunto era alcançar o bem comum e trazer benefícios para a população do distrito que crescia para se transformar em cidade. Na ocasião em que um grupo de cidadãos se levantou para ampliar o prédio da antiga pensão da dona Dó, espaço que mais tarde veio a se tornar o Hospital Evangélico, lá estava ele trazendo sua contribuição e apoio. Em outro trecho deste livro, que relata a vida de Osmar Martins Barros, há mais detalhes sobre a história desse Hospital. Os mais antigos contam que Dante foi proprietário dos poucos caminhões que havia na pequena cidade e, visando o interesse coletivo, era comum que em ocasião da Festa da Trindade, ele levasse os populares à romaria de lá, gratuitamente, acomodados na carroceria do caminhão. Nos anos anteriores à sua morte, aos 86 anos, o italiano ainda estava muito ativo. Separou da mulher e se casou uma terceira vez, com Lázara Felisbina Monteiro (Dona Pequena), com quem teve dois filhos. Seu jeito inquieto pelo comércio ainda prevalecia. Investiu em um bar em Montes Claros de Goiás. Quando faleceu, era proprietário de uma farmácia em Arenópolis, cidade que ainda era um Distrito de Piranhas. Os filhos que cresceram em Iporá por aqui se estabeleceram e ainda contribuem para o desenvolvimento local. Este é o legado do italiano Dante Lassi em favor de Iporá e região. Os dados históricos da chegada da família Lassi ao Brasil foram levantados por alguns de seus netos e bisnetos, e podem ser acessados eletronicamente através do acervo digitalizado do museu do Imigrante. Ao fazer o levantamento do legado que este italiano deixou para nossa região, apurou-se boas coisas. Discorrendo sobre os que são netos de que sua família, percebe-se prole numerosa. Dante teve 14 filhos, que são de conhecimento da família. Mas há indicios de que esse número possa ser maior. Segue-se, pois, a lista dos filhos e netos registrados na árvore genealógica que vem sendo construída: Orlando (Vania, Carlos, Rodrigo, Rogério, Orlando, Deliane, André, André L., Tatiana, David, Carolina, Mariana e Juliano); Juni (Ubiramar, Ubiraci, Claudio, Maria da Graça, Silvia, Fátima, Iara, Sara, Jussara, Dalva, Luciana); Buck Jones (Paulo e Claudia); Sebastiana, a Tânia ( Paulo, Elaine e Marco); Elza, a Jane (João). Do filho Dante, a família ainda não confirmou a descendência; Walter (Gizelle e Andrey), Carminda, a Rosa (Jocenilda, Jocilmar e Junio César); Valdemar (Soraya, Adriana, Karla, Luciana, Patrícia, Marco e Sorrel); Wanderley (Alessandro, Danilo e Daniella); Leonilda (Mauro e Marco); Marina (Rogério, Rodrigo e Ronaldo); Ana Luzia (Marcelino, Max e Neilson) e o filho Dante Humberto (Rafaella, Dantelle, Dantes, Júlia e João). (Foto pág. 55)
