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Zulmira, uma lutadora no pioneirismo de Iporá

Mais um trecho do livro A FORMAÇÃO DA SOCIEDADE IPORAENSE, de Valdeci Marques, hoje com enfoque em uma mulher de muita luta e de numerosa descendência. Veja o texto:

Zulmira Pires Ferreira tinha sangue indígena e que se disseminou em pessoas que estão atualmente vivendo em Iporá, as quais, mesmo com a pele branca tem a genétiva vinda de uma tribo da Bahia, onde no começo do século passado um fazendeiro roubou uma índia com a qual queria viver. A filha da índia é Zulmira, que morreu em Iporá. Sua mãe era Joaquina Moreira Pires e seu pai Guilherme Moreira Pires. Em 1932, eles deixaram a Bahia rumo a Goiás, quando Zulmira tinha 12 anos. Além da Zulmira, o casal tinha os filhos Anphilófilo, Rosário e Hercília. Quando Guilherme Moreira decidiu vir para Goiás, já veio numa condição de lavrador e não mais como fazendeiro. Era, principalmente, um exímio carapina. Chegou a ter terra, mas área pequena. Criar os filhos não era uma tarefa fácil. Terras que se tornariam parte do município de Moiporá foram as escolhidas em Goiás. Em um tempo quando mulheres se casavam muito jovem, Zulmira decidiu aos 15 anos por um casamento com Alfredo Ferreira. Casaram em Trindade, durante visita que fizeram à festa religiosa. O marido era um modesto lavrador, que com ela teve quatro filhos: Maria, Aristeu, Sebastiana e Álvaro. A vida no sertão transcorria simples, quando o Alfredo começou a apresentar sinais de doença mental. Acabou não tendo mais condições de ser um chefe de família e foi levado da região. Zulmira ficou só e com filhos, ajudada por parentes na criação dos mesmos. Acabou também tendo surtos de loucura, mas se recuperou. Apareceu em sua vida o José Marques Ferreira, que tinha ficado viúvo e tinha também 4 filhos. Ele trouxe para o casamento com Zulmira filhos pequenos e que iriam se tornar, no futuro, moradores de Iporá: Manoel Emídio, Francisca, Antônia e o João Cabral Marques. O destino uniu Zulmira e José Marques Ferreira por amor e por vontade de criar filhos e até de fazer mais alguns, o que, de fato, aconteceu. O José Marques Ferreira era outro lavrador a lutar pela vida, numa região onde era ainda sertão e ele a trabalhar para os fazendeiros. Com a Zulmira teve os filhos: Tereza, Alvina, Luzia e Ana. Somente a Ana não veio para Iporá em seguida. Mas a vida conjugal de Zulmira e José Marques Ferreira só durou o tempo suficiente para o nascimento dos filhos. Ao ir a Trindade em cavalgada numa missão religiosa, sentiu fortes cólicas e morreu no Moitu, atual Cachoeira de Goiás. Ele tinha o planejamento de em Trindade comprar um novo equipamento de fiar para a esposa. Zulmira ficou viúva. Era ainda uma mulher bonita, com a pele escura de sangue indígena, mas os cabelos lisos. Foi quando apareceu em interesse por ela o Joaquim Téofilo Ferreira, que era um beato. Nunca tinha sido casado e viu na descendente de a oportunidade de ter uma família. Assumiu Zulmira em casamento com filhos e toda vontade de a fazer feliz. Era outro que também era lavrador e já tinha uns sobrinhos que ajudava a criar. Nos braços assumiu o trabalho de zelar da Zulmira e de seus filhos, o que fez até sua morte. E foi uma longa vivência conjugal de 20 anos, mas sem novos filhos. Um único que ia nascer, morreu durante o parto. Quando ficou viúva pela segunda vez, Zulmira se converteu para fé evangélica e ouviu dizer que em Iporá tinha uma casa mantida pela Igreja Evangélica Assembleia de Deus e que se denominava Casa das Viúvas. Essa casa até hoje ainda existe, na Rua J, no Bairro Mato Grosso. Ela foi aceita neste asilo. Deixou na região de Moiporá filhos e netos, mas todos encaminhados em atividades profissionais ou amparados. A maioria eram lavradores e as mulheres, donas de casa. Filhos do seu segundo marido e que ele tinha ajudado a criar já tinham vindo para Iporá, mas ela não procurou nenhum deles. Preferiu a vida na Casa das Viúvas. No final da vida, morreu em uma casa de uma filha que tinha vindo para Iporá. Quanto aos filhos de Zulmira, nem todos vieram para Iporá. De seu casamento com Alfredo Ferreira, aquele que enlouqueceu, teve a Maria, o Aristeu (que se casou com a Maria das Graças), a Sebastiana (que se casou com o José) e o Álvaro (que se casou com a Mariinha). Os que ajudou criar e que eram do primeiro casamento do segundo marido, vieram prosperar em Iporá, a exemplo do Manoel Emídio. Na fase primeira, o Manoel foi um dos pioneiros em Arenópolis, onde foi trabalhador rural na terra do Gabriel Morais e, depois, comerciante que prosperou na cidade. Depois, optou por Iporá, onde também foi comerciante. Manoel foi casado com a Carmelita e teve os filhos: José (comerciário), Vanderley (escriturário), Vanderly (padeiro), Iraci (secretária, comerciária e cerimoialista), Irani e Iraíldes (comerciária). Outra filha, a Francisca, se casou com Miguel Silva. A Antônia, que também veio para Iporá, se casou com o José Divino Dias, o Nego. O João Marques Cabral, menino que ela ajudou a criar, também veio para Iporá. Ele se casou com a Maria José Marques. É de saudosa memória em Iporá. Crente em Deus, assim como a esposa, e que passou a mensagem aos filhos, os quais todos seguem a Igreja Assembleia de Deus, na maioria com cargos e atribuições. João Cabral era daqueles de frequentar os campos de futebol, de radinho de pilha e na torcida para a Associação Atlética Iporaense. Em Iporá foi barbeiro (cabeleireiro) e teve os filhos: Lázaro (que morreu criança), Helena (educadora), Fátima (costureira), Luzia (funcionária pública em Brasília), Duartina (que se dedicou a fazer companhia e cuidar dos pais na velhice), Miriã (educadora), Joaquim (comerciante) e Maria Helena (comerciante). A sétima filha é a Ruth Cabral Marques, que é a mais conhecida em Iporá. Ela foi professora e secretária municipal de educação nesta cidade. Quanto a Tereza, filha legítima da Zulmira com o José Marques Ferreira, veio para Iporá. Foi casada com o Ozarias Santana. Dessa união nasceu o João Santana (do jornal O Mais Positivo) e ainda três Marias: a Maria Tereza, Maria Lúcia e Maria Helena. A filha Luzia se casou com Levi, que foi um senhor marcante como um trabalhador carroceiro e que criou os filhos com muita luta. O Levi é muito lembrado em Iporá por sua humildade e trabalho. Aina cedo perdeu uma mão. Mesmo com deficiência, atuou muito com sua carroça de venda de esterco e fretes. Levi dava lições de sabedoria com sua humilade. Do enlace dele com a Luzia, a filha da Zulmira, foi gerado o Valdevi (ex-vereador em Palestina e PM), o Pastor Valdeci (respeitada liderança religiosa em Goiânia) e o Lorival que se destacou como empresário de confecção e como Lj, que é aquele profissional que cuida de iluminação em grandes eventos. Lorival já atuou por grandes espetáculos. A matriarca Zulmira teve também a filha Ana, cuja descendência foi muito atuante em Iporá. A Ana, que se casou com o João Marques Vieira teve o filho Joamir (que é intelectual e que ocupou interessantes atividades profissionais e foi sacerdote e morou em todas as regiões do Brasil). Teve o filho Jair (militar e auxiliar de enfermagem) e o Elienay (PM e bacheral em Direito), o Elivânio (empresário e fazendeiro), a Genaíldes (empresária costureira e modista) e o Eurivan, de várias atividades profissionais. Do sangue com ingrediente indígena da Zulmira com o José Marques Ferreira nasceu também a Alvina. São esses os descendentes ou pessoas que tem a ver com Zulmira, pelo sangue ou pela criação. Foi mulher que lidou com muitos filhos: dela e de outros. Zulmira, essa baiana de história de vida interessante está sepultada em Iporá. (Foto pág. 50)

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