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Mulheres Líderes no agronegócio

Programa de Pós-Graduação em Administração – PPGADM

Mestrado Profissional em Administração

MULHERES LÍDERES NO AGRONEGÓCIO:
OS EFEITOS PSICOSSOCIAIS E DA CULTURA ORGANIZACIONAL QUE IMPACTAM SUA TRAJETÓRIA

Pesquisadores:

JOSIANE OLIVEIRA ARANTES – Pesquisador Responsável

GABRIEL DE PAULA – Pesquisador Orientador

DANIEL EMANUEL CABRAL DE OLIVEIRA – Pesquisador Orientador

Rio Verde – GO

Junho/2026

MULHERES LÍDERES NO AGRONEGÓCIO:
OS EFEITOS PSICOSSOCIAIS E DA CULTURA ORGANIZACIONAL QUE IMPACTAM SUA TRAJETÓRIA

O agronegócio está preparado para lideranças femininas?

Enquanto as mulheres ampliam sua participação em cargos estratégicos no agronegócio brasileiro, desafios invisíveis continuam influenciando sua permanência, desenvolvimento e bem-estar. Cultura organizacional, estereótipos de gênero, pressão por resultados e conflitos de identidade profissional formam um cenário complexo que afeta tanto a saúde psicossocial quanto o desempenho dessas líderes.

Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a presença feminina no agronegócio tem crescido de forma consistente nos últimos anos. Entretanto, o acesso aos espaços de decisão ainda ocorre em um ambiente historicamente masculinizado, exigindo das mulheres elevados níveis de adaptação e resiliência.

Figura 1 – A jornada invisível da mulher líder no agronegócio – criada com inteligência artificial

A literatura sobre comportamento organizacional demonstra que mulheres em posições de liderança frequentemente enfrentam o chamado “duplo vínculo”. Quando adotam características tradicionalmente associadas à liderança, como assertividade e firmeza, podem ser percebidas negativamente. Quando adotam comportamentos mais colaborativos, podem ter sua autoridade questionada. Esse fenômeno gera desgaste psicológico contínuo e exige um esforço adicional para equilibrar expectativas sociais e exigências profissionais.

O peso da cultura organizacional

A cultura organizacional representa o conjunto de valores, crenças e comportamentos compartilhados dentro de uma empresa. Em organizações onde predominam padrões tradicionais de gestão, as mulheres podem encontrar maiores barreiras para exercer plenamente sua liderança.

Muitas dessas barreiras não são explícitas. Elas aparecem em pequenas práticas cotidianas, como menor participação em decisões estratégicas, interrupções frequentes durante reuniões, resistência à autoridade feminina e menor acesso a redes informais de influência.

Figura 2 – Como a cultura organizacional impacta mulheres líderes – criada com inteligência artificial

Os efeitos psicossociais da liderança feminina

Os fatores psicossociais correspondem à interação entre aspectos individuais, relacionais e organizacionais que influenciam a saúde mental dos trabalhadores. Entre as mulheres líderes do agronegócio, alguns fatores se destacam:

  • Sobrecarga emocional decorrente da necessidade de provar competência constantemente;
  • Síndrome da impostora, caracterizada pela dificuldade de reconhecer as próprias conquistas;
  • Conflito trabalho-família, especialmente em ambientes com baixa flexibilidade organizacional;
  • Estresse ocupacional relacionado à pressão por resultados e à gestão de equipes;
  • Isolamento profissional em setores predominantemente masculinos.

Pesquisas recentes mostram que ambientes com baixa segurança psicológica aumentam significativamente os níveis de ansiedade, exaustão emocional e intenção de desligamento entre profissionais que ocupam posições de liderança.

Figura 3 – Os quatro pilares da sustentabilidade da liderança feminina – criada com inteligência artificial

Quando esses quatro pilares estão presentes, a liderança feminina tende a apresentar maiores índices de inovação, engajamento de equipes e desempenho organizacional.

Por que investir em mulheres líderes é uma estratégia de negócio?

Diversos estudos demonstram que empresas com maior diversidade de gênero em posições de liderança apresentam melhores resultados financeiros, maior capacidade de inovação e melhores índices de governança corporativa.

No agronegócio, onde a gestão de pessoas se tornou um diferencial competitivo, promover ambientes inclusivos deixou de ser apenas uma questão social para tornar-se uma decisão estratégica.

As organizações que desejam permanecer competitivas precisarão desenvolver culturas capazes de reconhecer diferentes estilos de liderança, reduzir vieses inconscientes e fortalecer o bem-estar psicossocial de seus profissionais.

O futuro do agronegócio será construído não apenas por avanços tecnológicos e produtividade, mas também pela capacidade de criar ambientes onde diferentes talentos possam prosperar.

Conclusão

As mulheres líderes do agronegócio enfrentam desafios que vão além das competências técnicas exigidas pela função. Os impactos psicossociais e culturais presentes nas organizações influenciam diretamente sua saúde mental, sua permanência em cargos estratégicos e sua capacidade de gerar resultados.

Construir culturas organizacionais mais inclusivas significa não apenas promover equidade, mas também potencializar inovação, desempenho e sustentabilidade empresarial. O fortalecimento da liderança feminina representa uma oportunidade concreta para transformar o futuro do agronegócio brasileiro.

“A liderança feminina no agronegócio não deve ser analisada apenas sob a perspectiva da representatividade. Precisamos compreender os fatores culturais e psicossociais que influenciam a experiência dessas mulheres dentro das organizações. Ambientes que promovem segurança psicológica, respeito às diferenças e oportunidades equitativas tendem a desenvolver lideranças mais inovadoras, resilientes e capazes de gerar resultados sustentáveis.”

Josiane Oliveira Arantes
Especialista em Gestão de Pessoas e Desenvolvimento Organizacional no Agronegócio

Referências

BARRETO, Maria Simone de Menezes et al. Mulheres na liderança: desafios e perspectivas. Revista de Administração Contemporânea, 2023.

EAGLY, Alice H.; CARLI, Linda. Through the Labyrinth: The Truth About How Women Become Leaders. Boston: Harvard Business School Press, 2007.

SCHEIN, Edgar H. Organizational Culture and Leadership. 5. ed. Hoboken: Wiley, 2017.

MCKINSEY & COMPANY. Women in the Workplace Report. 2024.

ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO (OIT). Women in Business and Management: The Business Case for Change. Geneva, 2019.

SANTOS, Gisele; BRITO, Lydia Maria Pinto. Liderança feminina e desafios organizacionais. Revista Gestão & Sociedade, 2022.

CNA – Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. Panorama da participação feminina no agronegócio brasileiro, 2024.

CEPEA – Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada. Mulheres no Agronegócio Brasileiro, 2024.

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