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Família Melo, pioneirismo na região de Iporá

Isabel, Regina, Flávia (menina), José Sudário de Melo, Maria, Onofre e Maria Ana. São alguns de uma grande família pioneira.

Mais um trecho do livro “A Formação da Sociedade Iporaense”, de autoria de Valdeci Marques, que traz histórias de famílias tradicionais da região. Hoje, sobre os Melos, importantes no povoamento do Oeste Goiano.

Antônio Marcos de Melo, o Antônio Alta, e a esposa Jerônima Delfina de Melo e mais o casal José Sudário de Melo e Isabel Regina de Jesus, além de outros de sobrenome Melo, foram também pioneiros desta terra, com sangue mineiro a se misturar com a população local. Chegou também na mesma época e vindo da mesma região de Estrela do Sul (MG) o Jerônimo Bernardino de Morais. Ele não tem Melo no nome, mas a esposa sim: a Leopoldina Rodrigues de Melo. São do sobrenome Melo e vindos de Minas Gerais, de uma mesma região próxima a fronteira com Goiás. E a vinda dos Melos do sul de Minas não parou por aí. Outros parentes Melos vieram. Veio o Manoel Jairo, que não tinha o sobrenome Melo, mas era filho de Isabel de Melo e Neto de Davi de Melo, primos dos que foram citados antes. Era a mesma migração em conjunto de uma mesma família e vindos de uma mesma região, impulsionados pelo objetivo de terra nova para vencer na vida. Claro que o sobrenome é comum em nossa gente. Portanto, outros Melos estão nesta terra e não são parentes, nem são vindos de Minas. Estes aqui antes citados deixaram o sul de Minas Gerais. Vamos descrever sobre cada um destes casais pioneiros. Jerônima Delfina de Melo, a esposa de Antônio Alta, era irmã de José Sudário de Melo. Jerônima era também prima do próprio marido. Leopoldina, a esposa de Bernardino, era prima primeira do José Sudário de Melo. Portanto, são casais unidos pelo sangue ou pelos laços de casamentos, consolidando relacionamentos próximos. Em Minas, sonharam com vida melhor. Vieram na mesma época e habitaram uma mesma região. Atualmente, esses Melos estão infiltrados na sociedade iporaene. Se por exemplo, você quer pedir um gás, lhe atende o Felipe Melo (Ultragaz). Se quer um estudo de meio ambiente, chame pela bióloga Maiara Francielle de Melo Ribeiro. Os Melos estão presentes até na literatura através de Cleiton Martins de Melo, autor de 5 livros. Enfim, estão presentes em quase todas as áreas. Isso tudo teve um começo de forma muito rural. Antônio Marcos de Melo, o Antônio Alta, era um mineiro que para chegar em Iporá, teve pausas de moradias em Guapó e Aldeia Maria, perto de São Luís de Montes Belos. Ele chegou até Iporá em 1946 e veio porque aqui já estavam dois de seus irmãos: Gilo Marcos de Melo e Sebastião, de mesmo sobrenome. Antônio teve como mãe a senhora Maria Alta que nem chegou a vir para esta região. Por causa da mãe ficou conhecido como Antônio Alta. Ele chegou em Iporá casado com Jerônima Delfina de Melo. Trouxe filhos e outros nasceram por aqui. Antônio Alta era um apaixonado em trabalhar com engenho de cana e dos produtos que fabricava fazia a sua principal renda. Só depois de ganhar algum dinheiro conseguiu comprar terra. Sua primeira ocupação como agregado foi na Fazenda Pindaíba. Depois, comprou terra nas proximidades de Campo Limpo (Amorinópolis) e, em seguida, veio para as proximidades de Iporá, nas margens do córrego Santa Marta. A marca maior da família era a disposição para o trabalho e a simplicidade com que viviam, com todos na lida rural. Um dos filhos, o José Alta, além de trabalhador foi inteligente para administrar negócios e aumentar os bens, com três propriedades rurais e gado. Vendendo rapadura e açúcar o senhor Antônio Alta criou a família. Eram 12 filhos: Helena (que se casou com Limiro), Angelina (que se casou com José), José, o Izé, ou Zé Alta (que se casou com Coracina), Ramilo (que morreu solteiro), Rosa (que se casou com João Cardoso), Maria (que se casou com Noé), Lázaro (que se casou com Vani), Aparecida (que se casou com Geraldo Rufino), Divino (que se casou com Tânia), Luzia (que se casou com João Albino) e Jesus (que se casou com Ivani). Helena era parente e se tornou filha adotiva, tendo casado com Cicinato. Os outros dois irmãos de Antônio Alta, o Gilo e o Sebastião, também tiveram muito atuação no meio rural deste município. Gilo foi lavrador e Sebastião chegou a ter terra na Jacuba. Também dessa família veio o senhor José Rodrigues de Melo, que era tio de Antônio Alta. Veio da mesma origem e foram lavradores e que chegaram a comprar terras. Ao virem, tiveram passagem em rápidas moradias em regiões rurais de Nazário, Israelândia, Caiapônia e Diorama. José Rodrigues foi homem de muita lida com a terra, no plantio e criação de animais. Ele morreu com mais de cem anos de idade, montado em cima de um cavalo. Morto, não caiu do cavalo pois estribos não deixaram. José Rodrigues de Melo, que veio casado com Emília, teve os filhos, quase todos de sobrenome Rodrigues de Melo: Sebastião (que se casou com Maria Cândida), João (que se casou com Divina), Maria (que se casou com Bibiano) e teve ainda os filhos Helena e Sebastiana. De uma atuação rural os descendentes foram, aos poucos, para o ambiente urbano, onde estão cumprindo o seu papel. São muitos! Um deles é o ex-professor e diretor de colégio, Elias Rodrigues de Melo. Mais Melo: José Sudário de Melo e Isabel Regina de Jesus foi casal que chegou na região de Iporá também em 1949, vindo da mesma região do sul de Minas Gerais, com aquisição de terras na Fazenda Santa Marta, onde plantaram e criaram animais. José Sudário veio acompanhando seu sogro, Olímpio Rodrigues de Andrade que estava casado com Regina Delfina Andrade. Era o sogro que tinha um pouco mais de dinheiro para comprar terra. Mas quando chegaram e perceberam que existia muita bagunça em documentação de terras, ficaram temerosos de comprar grandes áreas e depois levar prejuízo, tendo que devolver terras, como aconteceu com muitos. Assim, comprou só 17 alqueires na região da Santa Marta, proximidades de onde ia surgir o Goiaporá. Contam os descendentes que o dinheiro que sobrou foi guardado dentro de um saco de linhagem colocado debaixo do colchão da cama do casal. Afirmam que essa era a forma na época de guardar dinheiro. Era uma família de trabalhadores e que criaram animais e plantaram. Colhiam até algodão para a matriarca tecer e com isso fazer as roupas dos familiares. De carro de bois iam a Iporá que começava a existir vender a produção. Gostavam mesmo era da fazenda. A presença na cidade era só para fazer vendas e compras. Contam os descendentes que um dia um deles calçando uma botina de cravo entrou em uma pensão de Iporá para comprar um prato de comida, escorregou e caiu no chão de cimento liso, impróprio para botina de cravo. A partir de então não quiseram mais entrar nestes ambientes onde o piso era de cimento. A botina de cravo era muito boa para não se escorregar na lida rural, mas não servia naquele piso da cidade. A família teve muitos descendentes. Olímpio Rodrigues de Andrade e Regina Delfina, além da Isabel Regina que se casou com o José Sudário, teve também a filha Maria (que morreu solteira), a Clarinda (que se casou com o João Honorato), João (que se casou com a Rosa), Sebastiana (que se casou com o Arlério Valério) e Tereza (que se casou com o José Pacífico). Quanto ao José Sudário de Melo, que também teve terra na mesma região, casado com a Isabel Regina, teve os filhos: Sebastião (que se casou com a Beralda), Maria (que se casou com João Vieira), Lázaro (que se casou com a Maria Rosa), João (que se casou com a Merinda e, depois, com a Marlene), Helena (que se casou com o Jerônimo), Lieci (que se casou com José Francisco), Terezinha (solteira) e Valdion (que se casou com Divina). São descendentes de sobrenome Sudário (a) e que tiveram, eles ou descendentes, participação em diversos segmentos da sociedade iporaense e de Amorinópolis, inclusive, na política, a exemplo de Sebastião Sudário de Melo e sua filha Joecy Maria de Melo Alves (vereadores) e que chegaram a presidência do Poder Legislativo em Amorinópolis. Outros Melos vindos da mesma região mineira foram José Francisco de Melo, casado com a Jovita Rosa de Jesus. Tiveram os filhos Albino, Maria, Helena e Marta, além da Virgínia, que se casou com o Antônio Inácio e de cuja união nasceram Ângela Maria, Marco Antônio, Maria Ester e Raquel. Jerônimo Bernardino de Morais, outro pioneiro vindo de Minas na mesma turma, casado com Leopoldina Rodrigues de Melo, chegou na região trazendo a família porque, antes, em visita ao Fazendeiro Olímpio Ferreira de Andrade, gostou do lugar. Ao chegar em definitivo, estabeleceu-se como agregado na fazenda Santa Marta, em propriedade do senhor José Matias, proximidades do povoado de Goiaporá. O senhor Jerônimo teve seu nome ligado ao surgimento do povoado, onde residiram alguns de seus descendentes. O casal Jerônimo e Leopoldina teve o filho Antônio Rodrigues de Melo (Mauri) e vários de sobrenome Bernardino de Morais. O Mauri se casou com a Rosa e teve os filhos Nilza, Diná, Aparecida, Nercelina e Divina), Vani (que se casou com Manoel Martins e teve os filhos João, Emília, Sebastião, Itamara, Jeronila, Josué, Miriam, Maria, Cleuzeni, Vandima, Vandilene, Márcio e Edma), Aparecido (que se casou com Celenita e teve os filhos Edir, Nilva, Divani e Nilvaci), Jacir (que se casou com Eni e teve os filhos Dilma, Dilmar, Dorcelina, Celi, Dinazir e Dilce), Joaquim (que se casou com Geraci e teve os filhos Zulma, Ézio e Zelma), Itamar (que se casou com a Maria Auxiliadora, a Nena, e teve os filhos Suedes, Josué, Kleide, Roberto, Sonimar, Veroneide, Valtir, Jocimar e Elcilene), Itamiro (que se casou com a Diva e teve os filhos Abigail, Josenildo, Diana e Clézio), João (que se casou com a Célia e teve os filhos Wender e Welinton) e Abeni (que se casou com o José, o Zezico e teve os filhos Selma e Carlos) e mais o José Divino de Morais, o Zezé (que se casou com a Luzia e não teve filhos). Todos os homens da família trabalharam na agricultura. Sobre o pioneiro Manoel Jairo é importante dizer que sua vinda teve paradeiros em outras regiões de Goiás. Esse mineiro Melo tinha nascido em 1908 e adentrou Goiás na juventude. No final da década de 50, casado com Manoela Mineira de Souza, era trabalhador rural na região de Bonfinópolis. Era habilidoso na lida com madeiras. Morou em Leopoldo de Bulhões, onde nasceram dois de seus filhos: Cleiton e José, ambos Martins de Melo. Enfim, veio para a região de Iporá, estabelecendo-se na Cachoeira Bonita para trabalhar na fazenda de Benedito Dornelas, mineiro também de Estrela do Sul. Benedito Dornelas não tem o sobrenome Melo, mas foi casado com Adorama Mendes de Melo. Imigraram de Estrela do Sul para a fazenda Cachoeira Bonita município de Amorinópolis no início dos anos de 1950. O casal adquiriu terras na localidade e tiveram 5 filhos: Sebastião, Orlinda, Vasti, Jessé e a Eunice. A história dos Dornelas está contada em outro trecho deste livro. Da fazenda do Benedito, sempre em lida rural, Manoel Jairo acabou se tornando dono de sua própria terra, uma pequena área nas proximidades de onde ia surgir o Goiaporá, localidade onde estavam muitos da Família Melo de Estrela do Sul. Foi nesta localidade que nasceram mais dois filhos de Manoel Jairo/Manoela: Sônia e Sílvio. A última fase da vida do casal foi na cidade de Iporá. Ele morreu em 1974. Ela em 2020. Os descendentes ocupam espaços importantes na sociedade. O filho Cleiton se tornou engenheiro civil, professor de idiomas e professor seminarista, além de escritor que já publicou 5 livros. Está atualmente atuando como missionário na Amazônia. Ele se casou com Glória Andrade de Melo e tem os filhos: Patryck (empresário), Mayck e Isaque Lucas. José Martins, filho do pioneiro Manoel Jairo, trabalha com transporte. Ele se casou com Nilva e teve quatro filhos: Liliam, Kely (Bióloga), Sara (engenheira civil) e Lucas (técnico em mecânica pesada). Sônia, filha caçula do casal pioneiro, se casou com o fazendeiro Ocival Honorato e tiveram os filhos: Eder (contador) e Erick (advogado e que foi prefeito da cidade de Piranhas no período 2017/2020). Sílvio de Melo é o filho caçula de Manoel Jairo e Manoela. Casado com a Maria, são proprietários de terras. Tem uma filha por nome Alda de Melo. Essa é a história dos Melos de Estrela do Sul e que vieram. (Foto pág. 53, 58, 62)

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