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Pegadas do tempo: Osmar Barros, nome importante para a região

A partir de hoje, a cada semana, sempre nas quintas feiras, vamos enfocar uma família pioneira da região. Passamos a publicar trechos do livro “A Formação da Sociedade Iporaense”, de Valdeci Marques. Nesta primeira publicação, a história completa da família de senhor Osmar Martins Barros, que foi prefeito de Amorinópolis e atuante pioneiro em Iporá.

Segue trecho do livro:

Osmar Martins Barros tem uma das histórias de vida mais intensas nesta região, em razão de sua origem, sua luta pessoal, das habilidades que desenvolveu e da contribuição que deu para a comunidade, como gestor público, mas principalmente como um articulador social em favor de várias realizações que trouxeram o bem estar coletivo em vários segmentos. A grandeza de sua história de vida pode ser comparada a de Sebastião Moreira, cuja trajetória está relatada em outro trecho deste livro. Osmar nasceu em uma fazenda, no município de Rio Verde, em 1932. Era a Fazenda Cachoeirinha. Seu ambiente de criação era restritamente voltado para o meio rural, tanto que quando o Osmar ainda menino demonstrou que queria estudar e levar uma vida urbana, a família não gostou, pois ia perder mão de obra na fazenda. Mas, antes de ir para a cidade, executou também dos serviços rurais e tinha habilidade em várias atividades. Ainda na fazenda, ia à cidade para ser ambulante de vendas, quando os produtos da família eram vendidos: queijo, requeijão, doce de leite, etc… Mas quem almejava crescer, queria mesmo era um emprego definido na cidade e que o emancipasse financeiramente da família. Ao mesmo tempo que trabalhava, nunca abriu mão de estudar, o que fez dele a marca do homem culto, capaz de debater qualquer assunto. Fez curso de datilografia em tempo recorde e foi reconhecido como dos melhores em digitação nesta região. Comunicativo e desembaraçado, conseguiu um emprego no Cartório de Rio Verde. Ali, começava uma vida profissional que o fazia ir crescendo a cada mudança de ocupação. Embora com emprego em Rio Verde, queria estudos mais avançados em Goiânia e decidiu mudar, ciente de que, poderia se virar sozinho, com suas habilidades e capacidade de buscar as oportunidades profissionais. Fez o primeiro ciclo do ensino médio (Ginásio) e conseguiu emprego em tipografia de jornal e depois em um cartório da capital. Foi também datilógrafo na Receita Estadual. Depois, foi trabalhar no Departamento de Rodagens de Goiás (Dergo). A cada ambiente, experiências e crescimento. Com problema de saúde (Neurastemia) teve que ir ao Rio de Janeiro para tratamento. Era o rapaz superando problemas de todas as naturezas. De ensino médio completo em Goiânia, decidiu voltar para Rio Verde, mas ouviu falar de Iporá, cidade que naquela década de 50, atraía muita gente de vários lugares. Casou com a Amélia Pires Martins, que aceitou a proposta dele de se mudarem para Iporá. Osmar dispensava empregos e seguia avante, sempre confiante que suas habilidades o trariam oportunidades profissionais. Chegou em Iporá sem saber muito bem o que faria naquela nova cidade. Tinha um gado que era já um fruto de seu trabalho de até então e conseguiu também comprar casa na nova localidade que escolhera para viver. No ato de escriturar sua casa, conheceu Ademar Taquary e Maria da Conceição Aparecida Souza, dono e escrevente do Cartório do Segundo Ofício de Iporá, respectivamente. Na conversa entre eles, identificaram-se. Havia ali um dono de cartório querendo o vender e um profissional experiente naquele ramo. A vida ia encaixando as peças para Osmar Martins Barros. Havia insistência por parte do Ademar de que o riverdense comprasse o cartório. Acabou comprando, mas foi uma negociação da qual participou também Israel Amorim, que era líder político em Iporá, naquele ano de 1955. Era preciso de um aval público para o negócio. Foi então que Osmar Barros passou também a se relacionar com os meios políticos de Iporá. Ainda não era filiado em partido. Como dono do cartório e cidadão de Iporá se tornou figura importante na nova cidade. O PSD, partido de Israel Amorim, convidou Osmar Barros para ser o seu orador. Nesta arte de comunicação em palanque ele se tornaria um dos mais vibrantes na região, com grande capacidade de comunicação e de empolgar multidões. Quanto ao cartório, Osmar Barros logo percebeu que não era algo de muito lucro. Naquele tempo, quem mais lucrava em cartório eram os donos de primeiro ofício. Israel Amorim o consolou quanto a isso, afirmando para ele o seguinte: – Olha, Osmar, eu vou emancipar o Campo Limpo e você vai ser dono do cartório de primeiro ofício de lá. Com essa promessa a vida seguiu. Osmar se envolveu profundamente com a comunidade iporaense. Certo dia, saiu de casa para assistir um jogo de futebol em um campo de futebol no local onde hoje é a Feira Coberta de Iporá, quando lhe entregaram o apito, pedindo: – Seja o juiz do jogo. Ele reuniu os atletas dos dois times e pediu disciplina. Mas era um jogo de decisão entre o Nacional e o Corinthians e o clima esquentava. Então ele parava o jogo e dava outro sermão. Esse era o Osmar Barros que gostava de tudo muito em ordem. Então começou a investir em futebol de garotos em Iporá. Criou o Vasco da Gama (07/09/57), que foi time de garotos e depois teve o time adulto com o nome de Iporá Esporte Clube (07/09/58). No tempo dos garotos, treinavam no local onde hoje é a Praça do Trabalhador, em frente do Hospital Evangélico. Quando o time era adulto, jogava no local onde hoje é o Colégio Estadual Elias Araújo Rocha. Ficou famoso um ótimo time sob o seu comando como treinador, tendo os seguintes atletas: Jerônimo, Pelé, João Gualberto, Orlando Sorense, Reverendo Carlos, Terenço, Antônio Preto, Antônio Japonês, Paulo, Frei Zé Maria e Zé Preto. Outra luta importante em Iporá do Osmar Barros foi pela criação do Hospital Evangélico, ainda sem esse nome. A cidade não tinha hospital naquele final da década de 50. Tinha médico, mas não tinha hospital. O médico era o Dr. Júlio Herberto, mas era ocupado também em ser fazendeiro. Havia um clamor por hospital e que foi conseguido sem a participação do prefeito da época, Manoel Antônio da Silva. Juntaram-se vereadores oposicionistas: Louracy, Arthur Barros, Benedito Marquez e Geraldo de Oliveira e mais o Zenildo Brito, o Itamar da Silva Melo e a ação decidida e entusiasmada do Osmar Barros. A esse grupo de homens dava-se o nome de Comitiva do Progresso. Naquele tempo tinha no local que hoje é o Hospital Evangélico, a pensão da Dona Ló. Ela alugava um prédio do Teodolino da Costa Ataídes, o Dó. Mas ela quis fechar a pensão. Então a Comitiva do Progresso entrou em ação para melhorar aquele prédio de pensão e transformá-lo em um hospital. A tarefa destes da Comitiva era doar e pedir doações. Raul Faria Rocha foi contratado para a construção. Essa foi uma grande luta que demandou sacrifícios de muitos, principalmente do Osmar Barros. Paulo e Ademar Vieira foram os primeiros médicos, mas que foram embora após seis meses. Por fim, Suhail Rahal, comprou o prédio já em condições de fazer funcionar o hospital, pegando uma estrutura física pronta e feita pela comunidade. Jesuíno Veloso, pai de Humberto Leão Veloso e que viria a ser médico, esteve também na obra e até fez doação, articulando também a vinda dos primeiros médicos. William José Álvares e Vanderlaan José Álvares, recém formados e filhos de Honório José Álvares, se prontificaram a trabalhar como médicos em Iporá, aproveitando uma estrutura pronta, preparada pela comunidade. Naquele início de atividades, a esposa de Osmar Barros, senhora Amélia Pires Martins, estava grávida e em uma situação de cuidados, uma vez que ela já tinha passado por dois abortos involuntários. O novo hospital a assistiu, sendo que foi nela a primeira cirurgia cesariana realizada em Iporá, em 08/12/57, acompanhada pelos médicos Dr. Júlio, Dr. Ademar e Dr. Paulo e pela enfermeira Eduardina. Naquele dia nasceu o Ismar Pires Martins, filho do Osmar e que viria a se tornar advogado. Lutas e conquistas foram coroando a vida de Osmar Barros, em favor dele e da comunidade. Com um cartório de pouca renda, Osmar queria um que fosse de primeiro ofício, e que lhe fora prometido. Isso viria a acontecer com a emancipação do Campo Limpo que se passou a chamar Amorinópolis. Mas as conquistas de Osmar Barros sempre tinham adversidades. Ele não foi o primeiro a ter o cartório na nova cidade de Amorinópolis. Forças políticas adversárias impediram. Mesmo assim, mudou para a nova cidade e ficou esperando a concretização da promessa política do cartório. Enquanto não fosse ainda titular do cartório do primeiro ofício de Amorinópolis, cuidou de seus assuntos rurais. Tinha fazenda e gado. E quando chegou com a família, em Amorinópolis, no dia 13 de abril de 1960, percebeu que faltava muita coisa no novo município. Então elaborou um projeto audacioso, colocando no papel tudo que Amorinópolis e a região precisavam, o que implicava em novas estradas, escola e muitas outros investimentos, nos mais diferentes segmentos. Acompanhado do deputado Anizio de Alcântara Rocha, esteve em audiência com o presidente da república na época, Juscelino Kubitschek. Da mais alta autoridade do país, recebeu depois um telegrama de retorno. Era o Osmar Barros, inquieto, sempre em busca do melhor para a comunidade. Morando em Amorinópolis e com uma fazenda nas proximidades da Serra da Barraca, município de Ivolândia, não tinha como ir até lá, partindo de Amorinópolis. Não tinha estrada. E foi então que bancou sozinho do bolso a construção, não só da estrada de trinta quilômetros, mas das pontes que precisavam pelo caminho. A estrada ia servir a ele e a muitos, a todos. Foi obra empreitada a Leopoldino Cirilo de Andrade, o pai do Admir Faria, que depois viria a se tornar prefeito de Amorinópolis. No dia que a estrada ficou pronta, o Osmar Barros convidou Otávio Paes de Gouveia, um descendente de Quinca Paes para inaugurá-la. Disse a ele: – venha comigo, vamos inaugurar uma estrada. O Otávio perguntou: – Vai ter festa? Osmar respondeu: – Não, apenas vamos lá na ponta da estrada e voltar. E foram. Quando chegaram na fazenda dele, tinha uma festa de casamento nos arredores e onde surgiu um tiroteio e os noivos foram baleados. Osmar teve que apressar a volta, trazendo os noivos baleados dentro do Jeep para Amorinópolis e depois para o hospital de Iporá. Era o Osmar, sempre acudindo as dificuldades da comunidade. Essa mesma estrada foi usada pelo empresário Benigno Pereira Maia, do Expresso Maia, para as viagens de ônibus a Goiânia, que saiam de Iporá vindo a Amorinópolis, seguindo para Ivolândia e depois para a capital. Quando o ocupante interino do cartório do primeiro ofício de Amorinópolis foi retirado do cargo, disseram ao Osmar Barros que o Cartório seria dele, mas ele quis que fosse diferente. Surgeriu que abrisse um edital e que o cartório fosse disputado em concurso. Assim foi. Osmar usou de sua sabedoria, venceu o concurso e assumiu o cartório. A luta dele em favor de Amorinópolis teve continuidade, em ajuda ao prefeito João Tavares para uma obra de estrada que ligou Amorinópolis ao Rio Caiapó. Quando chegou o ano de 1965, Osmar Martins Barros era aclamado para que fosse prefeito de Amorinópolis. Relutou em aceitar. Por fim, disputou e dentre os 736 eleitores que votaram, ele teve dois terços dos votos. Derrotou Adalardo José Carneiro. Osmar foi eleito tendo como vice Geraldo Rodrigues Moreira, o Geraldinho Vermelho. Osmar Barros tomou posse como prefeito em um momento difícil da política brasileira. Estava no poder a ditadura militar e que combatia as lideranças do interior, especialmente estes como Osmar Barros, identificados com o povo e com as iniciativas em favor do interesse comunitário. E tinha mais um agravante: Osmar era do PSD, partido adversário da revolução. Então houve um início de mandato muito complicado, com muitas perseguições, sucessivas intimações para que o novo prefeito de Amorinópolis comparecesse em Goiânia, junto ao governo do Estado. Certa vez foi chamado com a acusação de corrupção. Um secretário de estado que o interrogava em um gabinete, em Goiânia, abria uma gaveta e olhava em algo ali dentro, a fim de lhe fazer perguntas. Osmar disse ao secretário que aquele órgão já tinha uma prestação de contas suas e que tinha enviado e que ele devia procurar a fim de saber como estava administrando Amorinópolis. O secretário saiu da sala para ir em busca deste documento que o prefeito afirmava existir. Foi quando Osmar, sozinho na sala, abriu a gaveta e viu ali um documento com os nomes daqueles que em Amorinópolis lhe apunhalavam pelas costas, com falsas acusações, alguns até que se diziam do lado dele. Com isso, Osmar Barros resolveu fazer uma paz com o governador da época, Otávio Lage e, dessa forma, ter a harmonia que precisava para administrar e trazer obras para a cidade. Desde antes das eleições, já tinha apoio de diferentes correntes políticas. Com a mão estendida para o governador, a situação ficou muito boa para se conseguir as coisas para a Amorinópolis. Além de bem informado de assuntos locais, sabia muito da política goiana e teve oportunidade de avisar Iris Rezende que ele ia ser cassado, o que de fato ocorreu. Osmar fez no mandato de prefeito as seguintes realizações: Reconstrução e ampliação do Grupo Escolar que caiu na temporada de chuva de 1966 e que teve que ser feita outra obra; construção do prédio e da implantação da escola de ensino médio; construção da Escola em Goiaporá; construção de estrada rural da cidade, a começar pela Rua Mussurana até o sul do município; construção da estrada a iniciar na Rua Piauí até Ivolândia; construção da estrada a começar no canto sul da cidade rumo ao sudoeste do município. Osmar Martins Barros concluiou seu mandato e voltou a lida de Cartório e de produtor rural. Formou-se em Direito e exerceu a profissão de advogado. Mesmo sem mandato, continuou atuante. Liderou uma grande luta pela extensão da rede elétrica da CELG que estava parada em Firminópolis e, com seu empenho junto a políticos e até com mutirão para abrir picada, fez com que em Amorinópolis chegasse a luz primeiro do que em muitas outras cidades da região. Sua vinda para a região inspirou que irmãos dele também viessem de Rio Verde. Osmar Barros tem vários descendentes (filhos, netos e bisnetos). Ele teve os filhos: Osmar Pires (que ocupou cargos importantes na área ambiental em Goiás e que se casou com a jornalista Josete Bringel, tendo tido os filhos Ludmila, Diogo e Gustavo), Ismar Pires (advogado e produtor rural e se casou com a socióloga Elizabete Bicalho), Eliomar (advogado e que ocupou cargos importantes na área do Direito e tendo se casado com a advogada Ivoneide Escher teve com ela os filhos Victor, Hugo e Igor), Liamar Pires (que é advogada e que se casou com Antônio Balduíno e de cuja união nasceram o Marco, Rafael e Paula), Dilmar Pires (que foi vereador em Amorinópolis, tabelião e que é corretor de imóveis e produtor rural e que se casou com a professora Maria Cristina e que tiveram os filhos Raul e Caio, advogados e que tem a filha Ana Marília e Luiz Felipe) e o filho Delcimar Pires (que é economista, servidor público e que já esteve na equipe de chefia de gabinete do ex-presidente Lula e se casou com a jornalista Maria Aparecida e teve os filhos Isadora e Mateus). Essa é a história e descendência de Osmar Martins Barros. Vale ainda dizer que os Barros de Rio Verde vieram em grande quantidade e com presença destacada, muitos por influência do Osmar. São irmãos ou primos de Osmar: Antônio Barros (duas vezes prefeito de Amorinópolis, além de tabelião e fazendeiro), Luiz Barros (Funrural), Názia, Jerônimo (diretor de colégio), e os fazendeiros João Barros, Lauro, Geraldo, Francisco Barros de Souza, o Nego Barros e a Ana. O Sílvio Barros (tabelião) e o Joaquim Barros (ex-prefeito de Iporá) também foram familiares que vieram. Sobre estes dois últimos há texto mais detalhado neste livro. (Foto pág. 56)

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