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Pioneirismo: Pipiu, sua família e trajetória política

No livro “A Formação da Sociedade Iporaense”, de Valdeci Marques, um dos destaques é a a família de Manoel Carlos da Silva, muito conhecido pelo seu apelido de “Pipiu”.

Segue a história da família:

Manoel Carlos da Silva, muito conhecido pelo seu apelido de “Pipiu”, foi personagem de relevância histórica regional, como liderança política em Diorama e Montes Claros de Goiás. Está com sua história de vida contida neste livro em razão da sua descendência ter a ver com a formação da sociedade iporaense. Seu filho Manoel Carlos da Silva Filho (Piuíto) é morador de Iporá, onde por vários anos foi engenheiro na Saneago. Sua vida escolar, ainda na juventude, também contou com escolas de Iporá. Graduou-se também em Ciências Econômicas. Foi prefeito de Montes Claros de Goiás no mandato 1997/2000. Posteriormente, foi reeleito prefeito para o período 2005/2008. Piuíto reside em Iporá com a esposa Adriana Rezende Pires, nascida em Iporá. Ela é da família Peres e Leite, da região de Iporá e Montes Claro. Ele tem as filhas Natália, Isabel e Lívia. A história que antecede a tudo isso tem a ver com o pai, Manoel Carlos da Silva, o Pipiu, um baiano nascido em Guanambi, em 1918. Pipiu era alguém além do seu tempo, desses que muito andou pelo país. Uma cidadezinha baiana não seria limite para sua existência. A família foi para São Paulo e depois veio para Goiás, estabelecendo-se em Brazabrantes, onde essa família adquiriu uma fazenda. O inquieto Pipiu trabalhou na construção civil, no transporte de mercadorias de Goiás para São Paulo, e no Ministério da Agricultura, por 12 anos. Com tanta experiência profissional e vivência no funcionalismo público, claro que Manoel Carlos da Silva passaria a ter gosto pela militância política, passando a observar o que acontecia no país. Era autodidata, lia muito e com bagagem cultural que o ajudava a entender as nuances políticas do Brasil no século XX. Casou-se, aos 18 anos com Alzira Gomes Rosa. Esse casamento o fez ter ligação com a região de Iporá, pois a esposa era filha de Francisco Gomes Rosa, um patriarca cuja história de vida está contada em outro trecho deste livro. Estes descendentes da família Rosa moram na região de Iporá até hoje. Nesse primeiro casamento, teve seis filhos. Divorciou-se em 1950. Em 1955, casou-se com Maria Silva Farias, que tinha vindo com a família de Minas Gerais para Goiás, em 1942, aos seis anos de idade, para o povoado do Campo Limpo, hoje Amorinópolis. Tiveram quatro filhos. Quanto a luta política de Manoel Carlos da Silva na região, passou a ser marcante a partir de janeiro de 1960, quando estava em férias do Ministério da Agricultura. Convidado por Euclides de Souza (cuja história de vida está em outro trecho deste livro), e que era seu amigo e compadre, foi conhecer Diorama e o Distrito de Salobinha. O assunto daquela época era as eleições gerais que se realizariam naquele ano em todo o país para os cargos de vereador, prefeito, deputado estadual, federal, senador, vice-presidente e presidente, de uma vez só. Em Diorama seria a primeira eleição para prefeito. A história política e administrativa dos municípios de Montes Claros de Goiás e Diorama, caminharam de forma paralela. Eram terras que faziam parte do município de Goiás e, a partir de então, era município emancipado. Manoel Carlos da Silva foi apresentado às lideranças políticas da região de Diorama e dos Distritos de Salobinha e Registro do Araguaia. Os detalhes são muitos, mas o fato é que, depois de muitas reuniões e acertos, ao longo daquele ano, lideranças políticas de Diorama e Salobinha decidiram lançar o “Pipiu” candidato a prefeito de Diorama, tendo como vice na chapa o Sr. Avelino Bernardes Morais, genro de Francisco Modesto da Silva, o “Chico Cava Brava”, um dos pioneiros da região de Diorama e influente comerciante e proprietário de terras na região conhecida por Campo Redondo, acompanhado do apoio da família Peres e Leite da região do Sertãozinho e da região do Rio dos Bois. Para concorrer às eleições, Manoel Carlos da Silva – “Pipiu”, se filiou ao partido denominado UDN e concorreu com Italino Benuto Dias, também pioneiro da região, filiado ao partido denominado PSD. Venceu as eleições e tornando-se o primeiro prefeito eleito de Diorama. Tomou posse em 31 de janeiro de 1961, aos quarenta e um anos de idade, para um mandato de cinco anos 1961/1965. Essa foi a gestão quando teve a divisão do município que resultou na criação de Montes Claros de Goiás, em outubro de 1963, como cidade emancipada. Já no início do mandato, implantou uma subprefeitura no Distrito de Salobinha, visando se aproximar administrativamente da população daquela região, distante 36 quilômetros da sede do município. Ocorre que, animados com a emancipação de Diorama, que se deu em dezembro de 1958, a população do Distrito de Salobinha que compunha com o Distrito de Registro do Araguaia, o povoado e região de Cirilândia (hoje Lucilândia), mais os proprietários rurais das margens do Rio dos Bois e Rio das Almas, liderados por “Dico Peres” (na maioria a família Peres e Leite), da região do Sertãozinho, liderados por Dona Inês Ribeiro Leite Morbeck e da região do Campo Redondo, liderados por Francisco Modesto da Silva, o “Chico Cava brava”, passaram a cogitar da emancipação do Distrito de Salobinha. Alegavam que a região de Salobinha, na maior parte de suas terras era muito distante da sede do município. O Distrito de Registro do Araguaia ficava a cerca de 144 quilômetros de distância da sede do município, não havia estradas, pontes, escolas, unidade de saúde com suporte adequados. Já era uma situação que perdurava por muitos anos, desde quando a região era jurisdicionada à Comarca da cidade de Goiás, antiga capital do Estado. A população da região do Distrito de Salobinha e Registro do Araguaia, e Cirilândia já era considerável em relação a população da sede do município de Diorama. O grupo político que apoiou o “Pipiu” era forte, organizado e desejava a emancipação. Um grupo de lideranças solicitou ao prefeito “Pipiu” que agendasse uma audiência com o governador Mauro Borges, para tratar do assunto da emancipação do Distrito de Salobinha. O governador, após ouvir as razões das lideranças daquele Distrito de Salobinha, entendeu ser justa a pretensão de emancipação, solicitou que sua Assessoria orientasse o prefeito para os procedimentos necessários para encaminhamento dos dados referentes às áreas territoriais que caberia a cada município após a divisão. Esses dados deviriam estar relatados no Projeto de Lei que seria encaminhado à Assembleia Legislativa para aprovação da criação do município de Montes Claros. Coube ao prefeito “Pipiu”, apenas conduzir o processo com o mínimo de traumas e conflitos possíveis. Como era natural e esperado, houve calorosas discussões entre as partes. Em dado momento uma proposta foi colocada pelo “Pipiu”: a divisão territorial seria meio a meio. Parece que se formava um consenso por parte das lideranças de Diorama, que começavam a compreender que o município realmente era muito grande, dificultando em todos os aspectos a administração. Partindo desse princípio já se desenhava um acordo. Mesmo porque, quando da emancipação de Diorama, a sua área territorial ficou bem maior que a área territorial de vários municípios da região subordinados à cidade de Goiás e que nunca contestaram a respeito, ou seja, o território do Município de Diorama se estendia até o Registro do Araguaia, cerca de três mil e quinhentos quilômetros quadrados, correspondia a mais de três vezes e meia a área do Município de Iporá. A História, às vezes, em seus bastidores, não registra certos detalhes que realmente aconteceram e alguns personagens acabam assumindo responsabilidades, por forças das circunstâncias e por ocuparem posição de mais destaque, e, também, pelo fato de algum “historiador” que toma uma posição, ao relatar, não o acontecido de forma isenta, mas o acontecido de forma parcial, deixando aflorar a paixão. Isso acaba virando história oficial e termina por sacrificar uma história de vida de um personagem que passa a receber a alcunha de culpado por isso ou por aquilo. O fato é que a emancipação de Montes Claros de Goiás teve a ver com a luta de muitas pessoas que desejavam isso. E isso foi consolidado com a Lei nº 4.717 de 23 de outubro de 1963, que criou o município. Manoel Carlos da Silva honrou sua dedicação ao mandato de eleito por Diorama. No último ano do mandato, permitiu que o vice-prefeito assumisse. Manoel Carlos passou a ter atuação política em Montes Claros de Goiás, onde muito contribuiu com a comunidade e foi injustiçado em disputas eleitorais tidas como fraudulentas. Sofreu também com o período de ditadura militar, uma vez ser sabido de todos que era um lutador por igualdades sociais e com vocação para a militância socialista. Manoel Carlos da Silva o “Pipiu” foi um grande idealista e um visionário nesta região. Ele faleceu em 28 dezembro de 1997 a trinta e oito dias de completar oitenta anos de idade, bem lúcido e ainda participando da luta política, sendo um dos principais responsáveis pela eleição a prefeito de Montes Claros de Goiás em 1996, de seu filho de mesmo nome, Manoel Carlos da Silva Filho, o Piuíto. Foi através da herança política de Pipiu que o povo de Montes Claros concedeu ao seu filho dois mandatos de prefeito: 1997 / 2000 e 2005 / 2008. (Foto pág. 45)

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