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Os Gomes na História: dois prefeitos com esse sobrenome

Ariston e seu filho Ezio, ambos prefeito de Iporá. A família Gomes tem forte atuação na história local

Baseado no livro “A formação da sociedade iporaense”, de Valdeci Marques, aqui enfocamos mais uma tradicional família da região de Iporá, no Oeste Goiano. O trecho do livro mostra os Gomes.

Octaviano Gomes da Silva e Maria Rosalina Gomes trouxeram para Iporá uma grande influência em diversos segmentos, inclusive, na área política. É dessa família dois ex-prefeitos de Iporá: Ariston Gomes e o Ézio Gomes, que também foi deputado estadual. Além de prefeitos, a família teve vereadores: Sérgio Gomes e Glaúcia Cunha Gomes. Estando em Palmeiras de Goiás, no dia que decidiu vir para Iporá, a cidade ganhava, com aquela decisão, em empreendedorismo e valor social através de seus membros. Era 1954, quando vieram e se estabeleceram como moradores e proprietários de uma casa no local onde hoje é o Hospital São Paulo. Retrocedendo no tempo sobre a história dos Gomes e fazendo uso de escritos de Celeste Gomes del Salto, jornalista e escritora membro da família, remontamos a tempos longínquos. Celeste Gomes rememora que a origem da família de Octaviano Gomes é de Portugal, que se estabeleceu em Taubaté (SP). Era filho de Joaquim Gomes da Silva Rocha e Ana Francisca da Costa. A família Octaviano mudou para Pirenópolis, Goiás, onde ele iria nascer e, anos depois, encontrar o amor de sua vida: Maria Rosalina Gomes, filha de Joaquim Gomes da Silva e Maria Rosalina Pina. Já em Pirenópolis essas famílias se destacavam. Um irmão de Octaviano, o senhor Joaquim Gomes Filho, conhecido também pelo apelido Quinzinho, foi presidente do Tribunal de Contas de Goiás durante muitos anos. Octaviano, esse que seria homem influente em Iporá e que tinha nascido em 1895, não teve a oportunidade de estudar até terminar o ginásio, porém era esperto em contabilidade e matemática, o bastante para se destacar no mundo dos negócios. Celeste Gomes del Salto, a escritora da família, conta que Octaviano era homem sensível aos mistérios do amor. Octaviano aprendeu a tocar a flauta transversal para conquistar a bela morena de olhos profundos, melancólicos e negros, de cabelos longos e escuros, a jovem Maria Rosalina Gomes. Essa jovem de um metro e setenta e dois centímetros, mais alta que a estatura média das mulheres brasileiras, e um centímetro a mais que Octaviano, era considerada a moça mais bonita da cidade, o que a levou a ser uma das pastorinhas durante anos. Também foi musa inspiradora de algumas canções escritas para a Orquestra Sinfônica da cidade em que nasceu. Outro dos seus encantos naturais era sua esplêndida voz, que deleitava o ouvido dos cidadãos da localidade quando cantava no coral local. Certo dia Octaviano a viu e se caiu rendido, então decidiu que devia conquistá-la. Uma manhã de um sábado ensolarado ele conseguiu tocar pela primeira vez na orquestra sinfônica, depois de ter se apresentado ao diretor com sua flauta debaixo do braço, e ensaiado durante meses foi admitido como flautista titular. Assim que já tinha algo em comum com Maria, os dois gostavam de música, não demorou em conseguir seus objetivos. Com o seu ar de conquistador e olhar amendoado venceu a disputa com vários jovens, conquistando-a. Não tardaram em casar-se. Com a vida afetiva resolvida, Octaviano foi em busca de conquistas materiais. Ele e ela mudaram-se para Palmeiras de Goiás, onde foi dono de um armazém que vendia de tudo, desde doces artesanais a tecidos para fabricação de roupas. Foi prosperando, levou sua loja até Paraúna onde quase todos os seus filhos nasceram. Foi uma vida empresarial que lhe trouxe satisfação e possibilidade de continuar custeando a educação dos filhos, que tinham que sair para estudar em outras cidades, como São Paulo. Mais tarde adquiriu a Fbazenda Três Barras, com uma casa no meio do vale e umas terras de ótima qualidade. Ali, ele, Maria Rosalina e os filhos moraram durante alguns anos antes de mudarem para Iporá. Em uma nova terra, onde ia se destacar, comprou uns caminhões para fazer transporte de mercadorias à capital e outras cidades. Depois de um tempo com esse trabalho, o qual lhe ofereceu estabilidade, um dos caminhões sofreu um acidente matando o motorista, um jovem muito apreciado por Octaviano. Então, ele não suportou o golpe e já não quis continuar com o negócio: as estradas até Goiânia eram muito ruins e perigosas. Vendeu os caminhões e comprou o posto de gasolina, que é o atual Posto Bomtempo, no centro de Iporá. Mais tarde adquiriu uma máquina de arroz, uma linha de ônibus que fazia o percurso de Iporá a Piranhas, que anos depois repassou ao seu filho Uldário, Dau. Por último, quando já tinha uma idade avançada abriu uma sorveteria, mas por divertimento, e repartia sorvetes para a garotada Iporaense. Relembra Celeste Gomes del Salto, a escritora da família, que apesar de Octaviano e Maria Rosalina trabalharem muito para criar sua enorme família, eles deixavam espaço no tempo para descontrair. Esperavam juntos a janta ser servida escutando as notícias sentados ao lado da enorme vitrola de madeira que adornava a sala. Depois do jantar ele e Maria Rosalina gostavam de escutar músicas, um do lado do outro, e seguiam o compasso com os pés. Num ambiente descontraído compartilhavam como haviam passado o dia. Ou reunia toda família em volta de uma fogueira na casa da avenida Dr. Neto. Estas reuniões eram regadas com quentão, pipoca e batata doce assada, enquanto as criançadas brincavam de trinta e um de abril. Os grandes aproveitavam para contar piadas e rir. Outra coisa que o casal gostava de fazer era jogar canastra com o seu filho Ariston e algum amigo. Depois de várias partidas ele e Maria retornavam a casa iluminando com uma lanterna as escuras ruas de Iporá, cidade que amou desde que conheceu e onde passou os melhores momentos da sua vida. Tiveram nove filhos, nessa ordem: Ariston, Eudes, Leda e Hielo, de sobrenomes Gomes da Silva, Octaviano Filho, Uldário Gomes da Silva, Maria Rosalina Gomes da Silva, Joaquim Gomes e a escritora Celeste Gomes Del Salto. Ariston Gomes se casou com Olinta de Sousa e Silva e tiveram, portanto, os filhos Ézio Gomes da Silva (ex-prefeito e ex-deputado), Elma, Élio, Elba, Ariston Filho e Sérgio (ex-vereador). Eudes (comerciante) se casou com Ondina Rezende da Silva e tiveram 5 filhas: Selmi, Marilena, Cleunice, Terezinha e Lívia. Leda (artesã) se casou com Osvaldo Pereira Rezende e de cuja união nasceram oito filhos: José, Cleusa, Cleuni, Leda, Osvaldo, Maria de Fátima, Octaviano e Júlio César, todos de sobrenome Pereira Rezende. Hielo (advogado) se casou com Nilda Paes Lemes Gomes e tiveram três filhos: Márcia Preciliana, Lícia e Hielo do Bomfim. Octaviano Filho (comerciante) se casou com Maria de Lourdes Lemes Gomes. Tiveram quatro filhos: Walter, Maria José, Sônia e Joaquim Gomes. Uldário (empresário), outro filho de Octaviano e Maria Rosalina, se casou com Dilva Côrtes Gomes e tiveram quatro filhos: Telma, Uldário, Rubens e Mônica. Maria Rosalina, filha com o mesmo nome da mãe e que se tornou educadora, se casou com Divino José de Araújo, o Divino Berto (comerciante), e desse enlace nasceram oito descendentes: Delfina Agostinha, Elza Gomes de Araújo e Castro, Edson José de Araújo, Joaquim Gomes de Araújo, Ariston José de Araújo e Octaviano Gomes de Araújo, Elda e Paulo José Araújo. O penúltimo filho Joaquim Gomes, o Pai João (contador), se casou com Regina Lemes Gomes e tiveram os filhos Ênio, Marco Antônio (Marquito), Celina Mara, Selma Regina, Caio, Ângela Maria e Leandro Regis, quase todos tendo Gomes no sobrenome. A filha caçula é Celeste Gomes del Salto, a jornalista e escritora. Ela mora na Europa. Casou-se com o espanhol Juan José del Salto Algobia e tem três filhos: Juan Francisco, Vanessa e Luana. A família tem médicos, odontólogos, advogados e profissionais nas mais diversas áreas, valorizando a sociedade local e os locais para onde alguns migraram. Iporá não seria a mesma se não existissem os Gomes. (Fotos págs. 22, 32, 56)

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