
Mais um trecho do livro A FORMAÇÃO DA SOCIEDADE IPORAENSE, de Valdeci Marques. Hoje, a forma como surgiu o Hospital São Paulo. Confira:
Ezio Gomes da Silva tem o seu nome ligado a muitas coisas em Iporá. Foi prefeito da cidade e deputado estadual, além de outras empreitadas. Uma de suas iniciativas mais importantes foi em fazer ocorrer a existência na cidade do Hospital São Paulo. Essa mentalização, sonho e luta foi também algo da Família Gomes. Ezio Gomes é filho de Ariston Gomes, também ex-prefeito, e neto de Octaviano Gomes, grande pioneiro da cidade. Foi exatamente a casa do seu avô que se tornou o Hospital, no mesmo endereço atual. Essa casa foi reformada e feito um pavilhão ao lado, ação do seu pai. Ora, o filho dele, estudante de Medicina na Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia, estava prestes a se formar. Na época, Iporá só tinha um Hospital: Evangélico. Era o final da década de 60. A cidade crescia. Precisava de um segundo hospital. E contam os que relembram a história que teve um ingrediente a mais. Quando Ariston Gomes disputou a eleição de prefeito em Iporá, os médicos do Hospital Evangélico não o apoiaram, ficando em apoio ao adversário da época. Isso motivou ainda mais Ariston Gomes a preparar um hospital para seu filho, o jovem médico Ézio Gomes. Antes que ele concluísse sua formatura, o hospital ficou pronto e um único médico, vindo de fora, foi o primeiro profissional a ali trabalhar . Era o Kleide Coelho Lima, médico cirurgião. O nome da casa de saúde era: Hospital e Maternidade São Paulo. E o jovem médico Kleide, que se formou dois anos antes de Ezio Gomes, atuou três anos em Iporá e depois se mudou para Barra do Garças, onde fez brilhante carreira na Medicina ao ponto do hospital público daquela cidade levar o seu nome. Ezio formou-se. No mesmo ano e na mesma faculdade, formou-se Elias Araújo Rocha Filho, com quem o filho de Ariston Gomes sempre teve um relacionamento de muita proximidade, amizade e parcerias de negócios. Eram jovens de famílias amigas entre si. Elias não herdou do seu pai só o nome: também a propensão para estudos, a visão para negócios e até a inclinação para a política. Ora, Ezio Gomes quis o seu grande amigo, contigo, para também atuar no hospital em Iporá. Elias tinha outros planos para sua carreira de Medicina, mas foi convencido a vir para Iporá e na condição de sócio do hospital, com Ezio Gomes, em melhor condição financeira que a dele, facilitando a sua participação na empresa. O médico Kleide também passou a ser sócio. Os três médicos trabalharam então cerca de um ano e meio. Entrou para a sociedade o médico José Leite Braga, que mais tarde iria fazer parte do Hospital Cristo Redentor. José Leite deu sua contribuição por algum tempo. Mais tarde, com a saída de Kleide, o hospital teria que buscar um novo cirurgião, para a soma do trabalho com o Ezio Gomes (pediatria) e Elias Rocha (clínico geral). Era o início da década de 70 quando o médico Tobias José Ribeiro foi convidado a vir para Iporá, onde se tornaria um conceituado cirurgião, tanto neste hospital quanto em outras casas de saúde da região. Tobias, que adquiriu a parte na empresa que era de José Leite Braga (sobrinho da esposa de Tobias, Solange), já era conhecido dos dois outros sócios. Elias e Tobias foram professores de cursinhos universitários em Goiânia, em convívio em um mesmo tempo de faculdade. Naquela época, início da década de 70, o Hospital São Paulo já tinha conquistado grande clientela em razão dos relacionamentos daquelas famílias importantes dos seus fundadores e por causa da própria qualidade profissional de seus médicos. E eles trabalharam muito. Além do trabalho médico em Iporá, ainda iam a Goiânia fazer cursos de aperfeiçoamento. Acumularam muita experiência, inclusive, nas mais diversas cirurgias. O berçário chegou a ter espaço para vinte bebês e, naquela unidade de saúde, nasceram milhares de iporaenses. Elias Rocha, com atuação na área de cardiologia, atraiu muitos cardiopatas e chagásicos. Ele e Ezio mantiveram em todo tempo uma relação de muita intimidade com o povo iporaense. Além da vivência na medicina, esses médicos ainda tinham uma atuação na comunidade de Iporá, em segmentos diversos. Ezio e Elias, na política. Elias e Tobias, na maçonaria. E todos eles em assuntos de interesse da comunidade. No surgimento do Clube Recreativo de Iporá (CRI) participou o Elias Rocha. O pavilhão ao lado da Rua Bartolomeu Bueno foi obra pensada e levada a efeito pelos médicos Elias Rocha e José Leite Braga. E o hospital crescia fisicamente e em materal humano. César Machado Valadão, que hoje é conceituado cirurgião em Goiânia, teve uma participação, por certo tempo, neste hospital. O médico Dinazir Dias Padilha, de tradicional família da região de Ivolândia, integrou a equipe como dono de uma parte no patrimônio da empresa e, nesta casa de saúde, foi mais um que deu ao hospital a sua marca de casa de saúde que atende os pobres. Em um tempo quando a cidade não tinha hospital público, Dinazir, Ezio e Elias, fizeram bem este papel, de servir aos que não podiam pagar pelo atendimento. O zelo em atender com agilidade e precisão, foi também outra marca. Ezio, Elias e Tobias, como moravam próximos do hospital, chegaram a instalar um sistema de alarme ao lado de suas camas. Ser chamado pela enfermeira na madrugada e estar no hospital era coisa de minutos. Para um hospital que crescia vieram, a partir de certa época, os médicos que não eram donos, mas prestadores de serviços. Joel de Mattos veio de Uberlândia para ser pediatra. Alguns dos que vieram ao Hospital São Paulo também atuavam no Hospital Evangélico. Veio Danilo Alvim de Paiva Gonçalves (Ginecologista), filho do ex-prefeito Pedro Gonçalves Filho (Dico), Esmar Gonçalves (Urologista), César Machado (cirurgião) e outros. Anos depois, com o hospital totalmente consolidado em servir a cerca de 20 municípios desta região, houve uma redistribuição patrimonial do Hospital São Paulo. Médicos que trabalhavam no Hospital Evangélico e, com vontade de possuir parte patrimonial em hospital, foram convidados a comprar parte dessa empresa. Assim ocorreu. Vieram para o Hospital São Paulo como sócios os médicos: Samuel Marques (cirurgião), Clayrton Leão Filho (ginecologista), Ariston Gomes (ortopedista, irmão de Ézio) e Carlos Cordeiro (patologista). Assim como as famílias dos médicos do Hospital Evangélico eram unidas em servir a sociedade, também as do Hospital São Paulo. As famílias do Hospital Evangélico (contada em outro trecho deste livro) eram até fisicamente próximas. Residiam em um mesmo quarteirão. Os médicos do Hospital São Paulo somaram para a sociedade iporaense os seguintes descedentes. Ezio Gomes se casou com Glaúcia (pianista e ex-vereadora em Iporá. Eles tiveram os filhos: Paulo Henrique, Guilherme e Otávio. Tobias se casou com Solange. Eles tiveram os filhos: Rodrigo (também médico, no mesmo hospital), Cejana (oftalmologista) e Rogério. Elias Rocha se casou com Mirinha Alves de Oliveira, filha de Odilon José de Oliveira e Altamira, e dessa união nasceram: Gustavo e Elisa (engenheiros) e Frederico (médico). Todos os demais que passaram pelo Hospital São Paulo somaram, por meio de suas famílias, valorosos descendentes. Alguns mudaram, mas muitos deles estão entre nós. (Foto pág. 31)
