
A prefeita de Iporá, Maysa Cunha, poderá enfrentar um segundo processo de impeachment. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Iporá (Sindiporá) anunciou, nesta quinta-feira, 27 de agosto, que protocolou na Câmara Municipal uma nova denúncia contra a chefe do Poder Executivo.
No documento, o sindicato relaciona uma série de supostas irregularidades administrativas. Entre as principais acusações está a falta de repasse ao Sindiporá dos valores descontados na folha de pagamento dos servidores sindicalizados. Segundo a entidade, embora as mensalidades tenham sido retiradas dos salários, os recursos não teriam sido transferidos ao sindicato, situação classificada pelos denunciantes como possível apropriação indébita.
O pedido também menciona os empréstimos consignados. O Sindiporá afirma que parcelas teriam sido descontadas dos salários dos servidores, mas não repassadas pela Prefeitura às instituições financeiras responsáveis pelos contratos.
Outra questão apresentada diz respeito ao Ipasgo. De acordo com o sindicato, o município estaria deixando de efetuar corretamente os recolhimentos e repasses relacionados ao plano de assistência dos servidores, colocando em risco a manutenção do atendimento aos funcionários públicos municipais e seus dependentes.
A nova denúncia chega à Câmara em um momento de forte turbulência política. Maísa Cunha já enfrenta uma comissão processante relacionada a um pedido anterior de cassação. Esse primeiro procedimento está em sua fase final, mas há dúvidas sobre a possibilidade de conclusão dentro do prazo legal.
A comissão ainda teria oitivas, testemunhas e outras etapas a cumprir. Nos meios políticos, a avaliação é de que o tempo restante pode não ser suficiente para a realização de todos os procedimentos necessários antes do encerramento do prazo.
Durante a tramitação, a comissão relatou dificuldades para intimar pessoalmente a prefeita. Críticos da administração afirmam que essas tentativas frustradas contribuíram para o consumo do prazo. A defesa de Maysa Cunha, por sua vez, tem direito ao contraditório, à ampla defesa e à utilização de todos os recursos previstos na legislação.
A proximidade do encerramento da primeira comissão pode ter influenciado a apresentação da nova denúncia. Caso o pedido seja recebido pela Câmara e cumpra as exigências legais, um novo processo poderá ser aberto, independentemente do resultado do procedimento que já está em andamento.
É importante esclarecer que um pedido de impeachment não resulta automaticamente na criação de uma CPI. A denúncia pode dar origem a uma comissão processante, destinada a analisar eventual cassação do mandato. A CPI, por sua vez, possui caráter investigativo. Caberá à Câmara Municipal avaliar o documento, sua admissibilidade e os próximos procedimentos.
Com o novo protocolo, aumenta a pressão política sobre a administração municipal. Se a denúncia avançar, Maysa Cunha poderá enfrentar duas comissões sucessivas em uma cidade que atravessa um dos períodos mais conturbados de sua história política recente.
Até a publicação desta notícia, a Prefeitura de Iporá e a defesa da prefeita Maysa Cunha não haviam se manifestado sobre as novas acusações. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.
