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Eleições 2026: informação e cuidado nas redes sociais

Este artigo tem como objetivo orientar a população sobre os cuidados necessários durante as eleições, especialmente diante da velocidade das redes sociais e do uso crescente da inteligência artificial.
Embora candidatos e partidos recebam orientações específicas, muitos cidadãos desconhecem que o compartilhamento de conteúdos falsos ou manipulados pode gerar consequências jurídicas, mesmo quando não há intenção de prejudicar alguém.

O tema é amplo e complexo e não será esgotado neste texto. A proposta é oferecer uma fonte simplificada de informação, com orientações práticas para uma participação consciente e segura.
Durante o período eleitoral, vídeos, áudios, imagens e mensagens podem apresentar fatos falsos, informações fora de contexto ou situações criadas artificialmente.

A inteligência artificial pode alterar vozes e imagens ou fabricar diálogos que nunca aconteceram. Por isso, quanto mais alarmante ou ofensivo for o conteúdo, maior deve ser o cuidado antes de acreditar e compartilhar.

A crítica política, o humor e a sátira são importantes e não devem ser confundidos com desinformação. O problema surge quando uma publicação atribui a alguém uma fala inexistente, apresenta como verdadeiro um fato inventado ou utiliza uma montagem para enganar o público.

Também é importante diferenciar opinião de afirmação de fato: dizer que alguém parece despreparado é opinião; afirmar que essa pessoa praticou um crime exige confirmação.

Os grupos de WhatsApp merecem atenção especial. Uma mensagem encaminhada por familiar, amigo ou pessoa conhecida não se torna verdadeira por isso.

Cada participante deve verificar a fonte antes de compartilhar acusações, vídeos, áudios ou informações sobre candidatos. Diante de dúvida, o mais seguro é não encaminhar.

O administrador do grupo não responde automaticamente por tudo o que os participantes publicam. A responsabilidade depende da situação concreta e pode ser analisada quando houver participação, concordância ou omissão consciente diante de conteúdo claramente irregular, especialmente depois de tomar conhecimento do problema.

Ao ser informado, o administrador deve agir com prudência, advertindo os participantes, solicitando a retirada do conteúdo, evitando novos compartilhamentos e, quando necessário, comunicando o fato às autoridades competentes.

A responsabilidade deve ser avaliada individualmente. Quem cria o conteúdo, quem o compartilha conscientemente e quem colabora para sua divulgação podem ocupar posições diferentes.

Por outro lado, não se deve responsabilizar automaticamente o administrador que não conhecia a publicação ou não tinha meios concretos de impedir sua circulação.

Antes de compartilhar, é recomendável verificar a origem da informação, consultar canais oficiais e desconfiar de mensagens sem fonte, com pedido de encaminhamento imediato, linguagem agressiva ou acusações graves sem documentos.

Se o conteúdo parecer falso, guarde o link e faça uma captura de tela. Também é possível utilizar os mecanismos de denúncia da plataforma e procurar os canais oficiais da Justiça Eleitoral. Evite republicar a mensagem, mesmo para criticá-la, pois isso pode aumentar seu alcance.

A internet não elimina as consequências de uma publicação. Uma mensagem pode ser copiada e alcançar milhares de pessoas, mesmo depois de apagada. Por isso, a principal orientação é simples: antes de acreditar, verificar; antes de compartilhar, refletir; diante de dúvida, não divulgar.

Este artigo não substitui uma análise jurídica específica nem pretende esgotar o assunto. Seu objetivo é servir como fonte simplificada de informação à sociedade, contribuindo para eleições mais responsáveis, conscientes e seguras.

Rodrigo Marques é advogado e ex-vereador em Iporá

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