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Os Campos em nossa sociedade regional

José Campos de Oliveira, Joaquim Campos de Oliveira e Tertuliana Campos de Oliveira, baluartes de uma família importante no povoamento da região.

Mais um trecho do livro A FORMAÇÃO DA SOCIEDADE IPORAENSE, de Valdeci Marques. Hoje, sobre os Campos, uma família de tradição e pioneirismo!

Francisco Campos de Oliveira (Chico Campos) e Maria Vicença de Jesus são dos mais antigos a se estabelecer nesta região rural de Iporá. Ambos são antigos moradores. Por exemplo, a Maria Vicença de Jesus era uma irmã do José Antônio Leite (Zé Leite ou Zezinho Leite), que por sua vez, dentre os filhos, teve o Domervil, pai de pessoas influentes em Iporá, a exemplo de Naçoitan e Adaílto Leite. O casal Chico Campos e Maria Vicença chegou na década de trinta, na Fazenda Jacaré, com sede na cabeceira do Córrego do Papagaio. Mas antes deles chegarem em terras que bem depois iria ser município de Iporá, eles viveram nas proximidades de Torres do Rio Bonito, que depois iria ter o nome de Caiapônia, em área rural da cabeceira do Rio Caiapó e que chamavam de Morro Alto. Era a década de trinta quando o Chico Campos, homem alto, magro e claro e do qual não se soube que tivesse tirado uma foto, já mostrava sua liderança entre fazendeiros. Contam os descendentes que certa vez, quando ele e tantos outros adquiriram fazenda, a autoridade local em Torres do Rio Bonito que era encarregada de escriturar terras, se recusou a fazer isso. Então o senhor Chico Campos liderou uma ação com cerca de 40 fazendeiros prejudicados e entraram na cidade armados de carabinas e rifles de papo amarelo, exigindo que as terras fossem escrituradas. Só assim os fazendeiros, à força, conseguiram legalizar suas terras com a documentação que garante a posse por lei. Esse fato teve desdobramentos quando por volta de 1925 a Coluna Prestes, que o povo chamou de os Revoltosos passou pela região. Ora, as autoridades de Torres do Rio Bonito, em vingança, disseram a aquele grupo de homens que queriam uma revolução no Brasil, que havia uma fazenda na região que estava sem o seu dono presente. É que Chico Campos tinha ido para Trindade cultuar o Divino Pai Eterno, deixando a família na fazenda. Já naquele tempo a festa já chamava a atenção em grandes distâncias. Ao voltar, deparou com sua fazenda arruinada. Na sua ausência cerca de 1.500 homens mataram reses e danificaram a posse, inclusive, os currais. A passagem dos Revoltosos traz histórias para a família, como a da filha Vicença, a segunda a nascer, que sumiu por 7 dias no mato para não ser molestada. Ao voltar, estava nua e enrolou envergonhada nas saias da mãe, contando que uma Santa lhe aparecera e a socorreu quando estava escondida no mato. A família ficou satisfeita em ter de volta a filha. Aquela invasão dos Revoltosos na fazenda foi a forma das autoridades locais vingar aquela ação em que forçosamente tiveram que escriturar terras de fazendeiros. Com isso, Chico Campos ficou chateado com aquela localidade e decidiu mudar dali. Foi quando veio com a família para a região onde ia surgir Iporá, depois de vender sua fazenda por 18 contos de reis. Ao chegar nesta região, o pioneiro Chico Campos teve outra decepção. Na nova localidade, região do Jacaré ele chegou com a família e o dinheiro para comprar terra. E comprou e pagou uma área de cerca de 200 alqueires. Mas naquele tempo não se escriturava de imediato o imóvel adquirido. Entre ele e o vendedor da terra foi firmado um pacto que envolveu a honra do fio do bigode. O vendedor garantiu a ele uma escrituração futura das terras que comprara. Ocorre que esse vendedor morreu e a família não quis assumir a palavra que o falecido dera a quem chegava de Torres do Rio Bonito. Com isso, sobrou a Chico Campo uma terra de apenas cinquenta alqueires. Trabalharam muito! Eram treze filhos. A maioria deles participavam da folia de reis na região do Jacaré. Sebastião foi grande tirador de folia. João tocava a caixa com um repique primoroso. Os demais irmãos cantavam no giro, de casa em casa. São os seguintes filhos, quase todos de sobrenome Campos de Oliveira: Francisca (que casou ainda na região de Caiapônia, com Osório Quirino e ficou por lá, tendo tido os filhos Antônio, o Tote; Geraldo, Agenor, Alípio, Sebastiana, Maria, conhecida como Nega e a Ina), Vicença (que se casou com José Goulart e teve os filhos Antônio, Maria, Alzira, Dení e Sebastiana), Valeriana (que se casou com João Goulart de cujo enlace nasceu Pedro, Joaquim, Francisco, Nega, Nequinha, Sebastiana, Luzia, Isabel e Luíza), e a filha Ana (que se casou com João Ferreira Bernardes e que, dentre os filhos que tiveram, consta o Joaquim Ferreira Bernardes que foi vereador em Iporá e também o Pedro, que foi por vários anos chefe do Detran em Iporá, tendo tido também os irmãos Maria, Abadio, conhecido como Nego, Antônia, conhecida como Tonica, Sebastião, José, Geraldo, Manoel, Bartolomeu e Prudenciana). O casal Chico Campos e Maria Vicença teve a filha Tertuliana, a Tertula (que se casou com João Eleodório, o Duca e de cuja união nasceram Geraldo, Adão, Sebastião, João Bosco, Eva, Aparecida, Maria e Marilene), a filha Maria (que se casou com Sebastião e teve a Isabel como filha única), a Luíza (que se casou com Ismael e teve o Geraldo e a Carminda) e o filho João Campos que se casou com Rita e teve quatro filhos: José Campinho, Oliveira, Cecília e a Antônia. Ainda dos patriarcas tem o filho Sebastião, que em um casamento com Olívia teve somente a Nelica. Ao ficar viúvo e, casando-se com Delfina, a Finoca, teve os filhos: Gerônimo, Alonso, Jorcelino, Jeová, Lourdes, Maria Vicença, Leonídia e Tereza. O filho Antônio se casou com Izeni e deram aos patriarcas Chico Campos e Maria Vicença os netos: Diná, Diomar, Maricota, Francelina, Luíza, Ana, João, José, Jerônimo e Sebastião. Atuou muito na região a descendência do filho José Campos, o qual se casou com Otalíbia e, dentre os filhos que tiveram, consta o Irom Campos, que foi prefeito de Diorama e o Francisco Campos que fez brilhante carreira na Polícia Civil. Tiveram também os filhos Eva, Aparecida, Maria Divina, Deuzamildes e Ana Luza. Com a morte de Otalíbia, José se casou com Floremita e de cuja união nasceram o Glênio e o Marinon. Também são filhos de Chico Campos e Maria Vicença o Joaquim (que se casou com a Jovina, a Nega, uma união da qual se gerou José, Edmilson, Orleir, Lorzeli, Aparecida, Leia, Cleia, Ozana, Cleide, Maria e Carlos). O filho Manoel ficou solteiro. São muitos os descendentes presentes na sociedade iporaense. Eles relembram tempos antigos e as cenas de outrora. Relembram a grande matriarca Maria Vicença, uma descendente de índios, tirada de uma aldeia na bacia do Rio Caiapó e na qual se percebiam seus costumes indígenas. Por exemplo, ela não era dessas senhoras que sentavam normalmente em um banco. Preferia ficar de cócoras. E nessa posição ficava por muito tempo, quase sempre fumando. Ela fumava muito. E do patriarca Chico Campos se lembram muitos atos dele. Até seu espírito de fazer justiça. Ele foi naquele tempo o chamado Inspetor de Quarteirão, um tipo que tinha o poder do Estado, sempre distante, o direito de fazer Justiça local. E ele fazia. Certa vez ele acolheu em sua casa uma mulher sem marido e que tinha uma filha mocinha. Um valentão daqueles sertões mandou avisar que ia buscar a mocinha para casar com ele. E foi. Diante da casa, sobre um cavalo, avisou sobre sua intenção, mas Chico Campos o mostrou a carabina e o fez ir embora. O valentão teve que desistir de sua intenção de morar com a menina. Ela ficou em paz para decidir depois com quem ia se casar. Esse era o sertão. E muitas lembranças sobraram em meio a grande Família Campos. (Foto pág. 65)

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