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Povoado da Cocolândia e famílias de pioneirismo

Mais um trecho de um livro que conta sobre o surgimento do município de Iporá, com enfoque na chegada da vinda das famílias. “A Formação da Sociedade Iporaense” é um livro de Valdeci Marques que aborda sobre o pioneirismo de famílias tradicionais. O presente relato tem a ver com o surgimento de povoado do município.

Sebastião Pereira de Campos, conhecido como Sebastião Coco, deu nome para o maior povoado do município de Iporá, a Coca, ou Cocolândia. É em homenagem a ele que passaram a chamar assim o povoado localizado nas margens da GO-060, na região do Jacaré, há 30 quilômetros de Iporá. Quando o povoado já tinha algumas casas, os moradores decidiram que aquele lugar precisava ter um nome. Então tiveram a ideia de homenagear o senhor Sebastião Coco. Mas por entenderem que o nome Coco era feio, decidiram que o lugar seria a Coca. Então ficou assim. Muito tempo depois, pra ficar mais bonito, os de fora começaram a dar sofisticação ao nome e passaram a chamar o povoado de Cocolândia. A história do primeiro morador é interessante. Por volta de 1948, mesmo ano que Iporá se emancipava, chegava para aquele local o senhor Sebastião Coco, que tinha esse apelido porque era um homem que gostava muito de castanha de cocos em geral e vivia sempre mastigando castanhas ao ponto daquele gesto de mastigar estar com ele até quando ele não tinha esse alimento na boca. Ele era casado com a senhora Maria Romana de Campos. Naquele local que ia se tornar um povoado, Sebastião Coco se estabeleceu como agregado, pois era homem de lida rural, trabalhando na terra de várias formas. Sebastião tinha vindo de Pirancanjuba, na mesma época que o município recebia imigrantes de várias partes do Brasil. Sebastião Coco era um católico muito religioso. Ao lado de sua casa, aquele primeiro morador fez um rancho que era para as rezas dos que moravam por perto. Na igrejinha de palha, aquele homem baixo, gordinho, de pele clara, bigode, cabelos pretos e olhos verdes escuros, liderava as rezas e passaram a fazer, em todo mês de agosto, uma festa para Nossa Senhora da Guia, que até hoje é feita, já que esta passou a ser a padroeira do lugar. Sebastião Coco era sanfoneiro e gostava de animar folias de reis. De vez em quando aparecia um padre por ali, sempre montado a cavalo, vindo de alguma cidade e nestas ocasiões a celebração religiosa era maior ainda. Enquanto trabalhava na terra, para os fazendeiros das proximidades, Sebastião Coco cuidava da igreja de palha, liderava as atividades religiosas e criava sua família. Com a esposa Maria Romana, ele teve Jorge Romano de Campos, o Jorge Coco (que se casou com Dorvalina Rodrigues da Silva e depois foi se tornar mecânico na cidade de Iporá). O casal de pioneiros da Coca teve ainda João Pereira de Campos (que se casou com a Helena e mudou para Goiânia), José Pereira de Campos (que se casou com Maria Ferreira de Campos), Divina Pereira Campos (que se casou com um gaúcho e mudou para Mato Grosso) e Luzia Romana de Campos (que se casou com Divino Moura). O senhor Sebastião Coco decidiu mudar para Diorama em momento quanto aquela aglomeração humana começava. Lá, foi também dos primeiros moradores, a abrir estradas, a possuir lotes que fez se tornar um pequeno sítio e tomar iniciativas também para que o povo que chegava fosse religioso como ele. Os filhos todos mudaram, seguindo cada qual o seu caminho. Enquanto isso, o povoado da Coca crescia. Mas chegar lá era um desafio, sem estradas. Apenas caminhos onde era possível andar melhor no lombo de animais. Algum tempo depois o Governo de Goiás fez a rodagem que passava por lá. A ponte sobre o Rio Caiapó só foi construída em 1972. Antes, os carros atravessavam o rio numa balsa ali instalada. E o asfalto só veio na década de 80. Para fazer companhia ao senhor Sebastião Coco começaram a morar por ali, a partir da década de 50, outras pessoas, vindo uma a uma. Vinham para ficar perto da igreja. Eram pessoas do meio rural, com famílias que os homens pernoitavam por ali e durante o dia trabalhavam nas fazendas próximas. No início da década de 50, como as festas religiosas por ali eram muito animadas, a senhora a Dona Idalina Cristina apareceu por lá para estabelecer ali, ao lado da igreja, um comércio que vendia de tudo. Era marido dela o senhor Manoel Martins. Esse casal, segunda família a morar no lugar, teve os filhos: Divino, Joaquim, Lourdes, Aparecida, Ana, Ângela, Sebastião (que foi para o Estado do Pará e prosperou), José e a Rosa, que é comerciante do ramo de alimentação em Iporá. O casal Geracino e Geralda foi o terceiro a chegar e, em seguida, o José (Zeca), que era casado com a Maria e que estabeleceu outra venda no lugar, mas com duração de pouco tempo. Quando fizeram a rodovia que passou por ali, o local que era a rodagem antiga, ficou desocupado. A nova pista era mais ao norte. E no vazio da estrada antiga, foram construindo casas. O senhor Benedito Xavier, casado com a Ana, veio de fazenda e estabeleceu uma nova venda no lugar. Vieram o Célio de Jesus Machado e a Sônia. Depois, José Martins da Fonseca (Seu Nenem) e Maria Fernandes. Seu Nenem é o morador de Cocolândia mais conhecido no Brasil, já que é um talentoso marceneiro que se especializou em móveis rústicos, os quais expõe em venda nas margens da rodovia. Entrega encomenda para várias partes do Brasil. Vieram depois para o povoado os casais: Francisco e Maria, Valério Mendes e Ilda, a viúva Divina Gomes e os filhos. Joana de Souza Gomes foi outra viúva que aproveitou o local para ali construir a sua casa, trazendo os filhos. Veio o Francisco (Chico do Alonso), passando a ser o soltador de foguetes das animadas festas da Coca. Vieram Vilmar José Xavier e Dilce, Edsom de Almeida, o Edson Pedreiro, e a esposa Gisele, o Gaspar e a Rosirene, o Valsuir e a esposa, o Alex e a Érica e por último o Maurizete e a Geralda. A história da Cocolândia tem tudo a ver com o senhor Arthur da Costa Barros, fazendeiro da propriedade ao lado. A história da vida de Arthur está em outro trecho deste livro. Arthur ajudou muito os moradores, de variadas formas. Quando os jovens que gostavam de futebol quiseram ter um campo mais perto, pediram ao Arthur. Ele cedeu parte de sua terra. Na hora de fazer a cerca para o campo, disse: “deixem uma área maior para aqueles que quiserem construir casas”. E assim foi feito e o local foi todo lotado com casas construídas. Quando, em 2004, um incêndio criminoso deixou em cinzas a igreja de palha da Assembleia de Deus, o senhor Arthur Barros ajudou a construir uma igreja de alvenaria. A manifestação de fé dos fiéis desta igreja teve início com o Pastor Levi Barbosa, que fez o rancho e tomou a iniciativa das primeiras ações. Depois dele, foram pastores na localidade Arli Rodrigues da Silva e José Serafim Borges. O povoado já teve escola municipal e um laticínio em funcionamento. Ambos deixaram de funcionar por volta de 1999. O povoado tem boa eletrificação e água distribuída a partir de poço artesiano. No entanto, nada mais tem em se tratando de urbanismo. Não tem também documentação de seus imóveis para o tornar, de direito e de fato, uma área urbana de Iporá. Atualmente, não há comércio dentro do povoado. Nas proximidades, após o córrego do Café, está estabelecido o senhor Adão Gregório e sua esposa Neuza, que faz o papel de comerciante do lugar. Reclamam os moradores que as autoridades dão pouca atenção para aquela localidade do município. (Foto pág. 50)

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